A história do abacate

A história do abacate

Originário da América tropical (México, Guatemala e Antilhas), o abacate espalhou-se até a América do Sul, chegando à Amazônia. Hoje, a fruta pode ser encontrada por todas as regiões do globo que possuem solos férteis, profundos e calor que lhe seja suficiente, podendo ser encontrado em grande variedade de formatos, tamanhos, texturas e coloração.

No seu passeio pelas terras quentes do planeta, o abacate adaptou-se a diferentes ambientes, sendo domesticado pelo homem até se tornar uma espécie largamente cultivada. É raro, em toda a América, um quintal, pomar ou terreiro, de casas, sítios, chácaras ou fazendas, que não possuam pelo menos um abacateiro frutificando. Tanto nas áreas rurais como nas cidades, muita gente conhece e faz uso dos abacateiros e dos seus frutos.

Quando os primeiros europeus chegaram ao continente americano, o abacate já era largamente aproveitado e cultivado pelos povos pré-hispânicos desde a Antiguidade. Contam os cronistas, já no início do século 16, que tanto portugueses como espanhóis muito se encantaram com aquela fruta estranha e delicada que nunca haviam provado. Por sua forma, o abacate foi então comparado com as grandes pêras espanholas e, por sua cor verde mesmo quando maduro, foi também chamado de figo.

Segundo afirma Clara Inés Olaya, nos tempos antigos acreditava-se que a forma, a textura ou o sabor das plantas eram uma espécie de relação divina das suas virtudes e vícios. E os abacates, que por vezes se revelam semelhantes, na forma, a “peitos de moças donzelas” e por outras se assemelhavam a “testículos masculinos”, logo foram associados a propriedades afrodisíacas.

O nome pelo qual o abacate ficou conhecido é uma derivação da palavra de origem asteca “aoacatl” ou “ahuacatl”, transformada, por aproximação sonora, em “aguacate” em espanhol e abacate em português. Alguns dizem que a palavra maia para designar abacate significa “fruto que tem a forma de um testículo ou saco”; outros afirmam que a palavra asteca significa “manteiga que vem da madeira”, descrição sensível da maciez da polpa da fruta.

De fato, a polpa cremosa, verde-amarelada ou amarela quase branca do abacate, assemelha-se bastante a um creme amanteigado. Basicamente constituída por ácidos graxos não-saturados, ela concentra apenas 70% de água em sua composição, o que é pouco em comparação com a maioria das frutas existentes.

De sabor suave e gosto bom, nem doce nem amargo, o abacate é fruto macio, generoso e carnudo. Apesar de existirem inúmeras e distintas variedades conhecidas e cultivadas, que apresentam variações no tamanho, forma, peso e coloração dos frutos, com diferentes tipos de polpa, fibras, caroços e casca, o fruto do abacateiro sempre foi um só: simplesmente abacate. Muitas dessas variedades, que superam 500, são híbridas, produtos de cruzamentos de outras, geradas tanto pela própria natureza como pela ação deliberada do homem desde tempos muito antigos, sempre na busca de frutos mais apropriados ao paladar e à resistência às pragas.

Para Pimentel Gomes, o abacateiro é uma das mais valiosas fruteiras existentes justamente por seu fruto conter consideráveis porcentagens de gorduras, carboidratos e proteínas, além de um largo espectro de vitaminas, sendo rico em minerais como potássio, cálcio e ferro. Acrescenta-se, ainda, o fato de conter pouco açúcar e quase nada de farinha.

Fruta completa, o abacate é incomparável fonte energética e tem alto valor calórico e alimentício. A sua gordura é de fácil assimilação pelo organismo, portanto, de digestão fácil, e não traz praticamente nenhum malefício, além de conter 20 a 25% de um óleo muito usado em perfumaria e cosmética.

Segundo Pio Corrêa, o abacate foi introduzido no Brasil como espécie cultivável apenas no início do século 19 e, atualmente, encontra-se à venda nas feiras livres e supermercados durante quase todo o ano. Os melhores abacates são os mais pesados e firmes. Para saber se estão no ponto é só fazer uma ligeira pressão com os dedos, sendo próprios para o consumo apenas amadurecidos.

Por suas qualidades e sua extrema suavidade ao paladar, o abacate é uma das frutas mais versáteis existentes, fonte de inspiração para incontáveis receitas. Pelo sabor indefinido de sua polpa puco açucarada, o abacate pode ser consumido como iguaria doce ou salgada, de acordo com os hábitos e a cultura dos povos das regiões em que é cultivado.

Valor Nutricional do abacate

No Brasil, por exemplo, a fruta ao natural costuma ser consumida apenas em suas variações doces, em sobremesas ou lanches. A polpa do abacate em pedaços, amassada ou em creme, pode ser misturada com açúcar ou mel, acrescida ou não de gotas de limão; pode também ser bebida quando batida com leite ou com o suco de outras frutas.

É na Europa, na América Central e no México que o abacate é mais utilizado como ingrediente próprio para saladas. Também ao natural, em pedaços ou em creme, misturado com verduras, tomates e cebolas picadas, ervas aromáticas e temperado com maionese, azeite, sal, pimenta e outras especiarias, o abacate é servido como acompanhamento para torradas, pães e pratos salgados.

Em países da América Latina prepara-se o famoso “guacamole”, que é degustado com “tortillas” de milho. Na Guatemala, em Porto Rico, no México e na Colômbia, é costume incrementar as sopas com grossas fatias da fruta. Em alguns lugares do caribe, come-se o abacate com vinho do Porto ou Madeira, com suco de laranja e de limão. Se é verdade que gosto se discute, aqui está um bom motivo para testar receitas e iniciar a discussão!

Apesar de ser um dos grandes produtores mundias da fruta, o Brasil exporta menos do que poderia porque – pura ironia! – o seu abacate, grande e bonito, é estranho aos consumidores europeus, acostumados a frutos de variedades com dimensões menores.

Segundo dados do IBGE, no final dos anos 1990 os principais estados produtores foram, em ordem decrescente, São Paulo, Ceará, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Pará. Embora a região Sudeste tenha liderado a produção, sendo responsável por quase 60% do total, a produtividade das plantações nordestinas foi quase o dobro da obtida no conjunto Sul-Sudeste, provavelmente em virtude das altas temperaturas e dos plantios irrigados desenvolvidos na região.

Produtores e exportadores de abacate distribuem-se entre vários países da América do Sul e Central (Chile, México, República Dominicana, Peru, Argentina, Guatemala e Equador) e da Europa (Espanha, França, Holanda, Bélgica e Alemanha), além de Israel, da África do sul, da Nova Zelândia e dos Estados Unidos, em especial na região da Califórnia.

 

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

 

 

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