Atins, o lado roots dos lenções maranhenses

Que delícia de lugar! Atins é um vilarejo pequenininho nos Lençóis Maranhenses, mega sossegado, praiano, onde as ruas são todas de areia fofa, um lugar praticamente sem sinal de celular e internet, bem roots e com uma energia ótima! Me lembrou de Superagui e um pouco da Ilha do Cardoso, que também tem esse jeitão mais roots. Lá não tem chuveiro com água quente, apesar de ter energia elétrica – mas não faz a menor falta, de tanto calor que faz por lá! Ventilador sim é indispensável!

Atins fica pertinho da entrada do Parque dos Lençóis – quer dizer que dá pra ir a pé até várias lagoas, sem precisar de passeio com agência. Você tem muito mais liberdade pra fazer o que quer, na hora em que estiver a fim, e ainda gasta menos!

Pra chegar em Atins você precisa ir primeiro pra Barreirinhas. Aí tem duas opções: pegar uma Toyota de linha até Atins (2h), ou ir de barco, de preferência aproveitando o passeio pelo rio, que vai até Caburé (nesse caso o esquema é combinar com o barqueiro, porque as agências querem cobrar uma grana por esse trecho adicional). Como Caburé é perto de Atins e no passeio as pessoas ficam umas 3h por ali, pra almoçar, dá pra nesse meio tempo um barqueiro te deixar em Atins, cobrando baratinho. Mas o ideal é já combinar com ele antes de sair.
Pra pegar a Toyota você precisa falar direto com os motoristas em Barreirinhas, perto do Mercado Central (R. Monsenhor Neves com Major Galas). Cada um faz um horário diferente, então tem que sair perguntando. Vi que tem às 9h, às 11h e às 14h, mas deve ter outros horários também. Custa vintão e leva umas 2h.

O caminho é super sacolejante, cruza o rio com a balsa e segue por trilhas no meio do mato, com poças que parecem lagoas de tão fundas (tem hora que o farol inteiro da Toyota fica embaixo d’água)! Mas é compensador – você passa pelo meio das dunas, no Parque dos Lençóis! Lindo! Rooteza total!

Se estiver com mais pessoas, também dá pra contratar um barco só pra te levar lá – melhor combinar direto com os barqueiros na Beira Rio (rua em frente ao rio). Mas acho que fica mais caro.

 

ONDE FICAR

Sem dúvida na Pousada da Tia Rita! A casa dela é simples mas super bacana, bem bonita, com um quintal super gostoso e várias redes pra ficar batendo um papo. Os quartos são para 2 ou 4 pessoas, mas ela também hospeda uma pessoa só por um preço super em conta – fui sozinha e paguei 35 pela diária de um quarto com banheiro, cama  de casal, ventilador e café incluso – com uma tapioca super especial, grossinha, feita com às raspas do coco, uma delícia!

COMES E BEBES

– Irmão Atins: é um restaurante e pousada super bacanudo. Pra se hospedar não é muito barato, mas pra comer os preços são ok. Tem um prato com peixe serra frito que é muito bom, e também boas opções de sandubas. Eles organizam passeios ali, como o da Lagoa Verde.

 Café Baratins: é um espaço pequeno e bem charmoso, com livros em várias línguas e decoração bem zen. Eles servem açaí, sandubas e às vezes pizza – em Atins é tudo assim, tem que ver qual a comida que está disponível no dia! A dona, Tanessa, é super gente fina e boa de papo. Ah, lá tem umas cachacinhas diferentes também, como uma maturada na folha de coca. Fica na frente da pousada da Tia Rita.

– Pizzaria Maresias: também é uma pousada, de um italiano que se encantou com o vilarejo e abriu o negócio por lá. No dia em que fui tava fechada, mas muita gente elogiou a pizza deles.

– Restaurante do Antônio: fica no Canto do Atins, a 1h30 caminhando – lá você normalmente vai quando faz o passeio ou caminhada pras lagoas próximas. O Seu Antônio serve um camarão grelhado delicioso, nunca tinha visto um assim! Ele abre os camarões no meio, tempera com um molho secreto e grelha na brasa, fica mega especial! E tem um redário ótimo pra um cochilo! Ali ao lado fica o restaurante da Luzia, que é mais conhecido, e também serve o camarão assim. Experimentei o do Seu Antônio, seguindo a dica de vários moradores, e não me arrependi!

– Botecos: tem dois botecos em Atins, do Seu Chico e do Seu Zé (esse tem até mesa de sinuca). A breja é de garrafa, gelada e barata. O Seu Chico (que fica na frente do Irmão Atins) também é uma pequena mercearia, e tem ótimas cachaças temperadas por ele, com frutas variadas.

– Santo Inácio: é o vilarejo vizinho e é onde os locais vão pra beber até tarde. Tem que caminhar uma meia hora pra chegar lá, na areia fofa, que cansa bastante – pra voltar, depois de beber, é meio trash…

 

O QUE LEVAR

– Boné/chapéu: o sol é tanto que tem que proteger o cocoruto!

– Protetor solar: precisa explicar? 😉

– Bolsa/sacola com fecho: a areia é companhia constante em quase todos os passeios – o ideal é ter uma bolsa/sacola que feche, pra não ficar tudo areiudo.

– Sacolinhas: pra proteger a câmera e o celular de tanta areia

– Óculos de sol velhinho: pra não riscar com tanta areia

– Chinelo: foi o único sapato que usei durante uma semana inteira…

 Biquíni / calção de banho

– Repelente

 Dinheiro: só tem alguns bancos em Barreirinhas (Caixa, BB e Bradesco) e nenhum em Atins, então leve dindin! E procure ter dinheiro trocado.

– Pouca roupa: você não vai usar nem metade das roupas que imagina, então leve pouca coisa! Lá só faz calor, nem pensar em casaco e calça!

– Muita água pra fazer os passeios!

O QUE FAZER POR LÁ

A primeira coisa é relaxar e largar mão dos horários marcados de Barreirinhas! Aqui o ritmo é outro… Relax, baby!

 Canto do Atins: fica a 1h30 de Atins, caminhando. Dá pra ir pela praia (bem tranquilo de achar) ou pelas trilhas (nesse caso é melhor ir com guia). No Canto do Atins tem o famoso restaurante da Luzia e também o do Antônio (comi nesse último, achei uma delícia comer o camarão grelhado na brasa e depois lagartear na rede!). Ali perto tem algumas lagoas, como a do Toco, ótimas pra dar uma refrescada pós caminhada.

– Lagoa Verde: fica depois do Canto do Atins, caminhando mais umas 2h – bem longe pra ir a pé saindo de Atins, já que dá umas 3h30 só de ida… Para esse passeio é melhor fechar com agência – a pousada Irmão Atins organiza o trajeto com a Toyota, te levando pra conhecer a lagoa e almoçar no Canto do Atins por 50 pilas (almoço não incluído).

 Lagoa Tropical: amei esse passeio, quase nenhuma agência/guia leva pra lá. Por isso mesmo é tão bacana, você consegue curtir de verdade a lagoa, sem aquele bando de gente zoando por lá! Dá pra ir andando de Atins, em 1h30 você chega na Lagoa (passando por várias outras super bonitas antes também) e fica lá curtindo quanto tempo quiser.

– Praia: fica logo ali, em Atins. A praia não é das mais lindas, mas é bacana, bem legal pra dar um rolê ou um mergulho.

– Igarapé: é um braço do rio, que passa pelo meio da vilazinha. Durante o verão fica ótimo pra banho, com água transparente, uma delícia! No inverno a água do mar chega até ele, fica mais amarronzado e salgado. Tem um ponto do Igarapé do lado do Rancho do Buna, é um dos lugares onde você pode se refrescar do solão maranhense!

– Revoada dos Guarás e pôr do sol no rio: os guarás são pássaros típicos da região, que ficam vermelhos quando mais velhos, parecem de mentira! Dá pra ver a revoada de um ponto no meio do rio, de barco, e às vezes até da praia, lá pelas cinco e meia. Fiz o passeio com o marido da tia Rita, da pousada (o Seu Pedro), ele cobrou 20 por pessoa (fomos em três).

– Kite Surfing: parece que Atins é ótima para praticar Kite Surfing – se você não sabe como se faz, dá pra pegar umas aulinhas pra pegar as manhas! Vi que na Pousada Maresias eles oferecem aulas.

– Travessia entre Atins e Santo Amaro: essa é uma caminhada que parece ser super legal (não tive tempo suficiente pra fazer… ainda!), leva 3 dias, e pode ser feita entre Atins e Santo Amarou ou vice-versa (ouvi várias opiniões dizendo que é melhor fazer a primeira opção, considerando o sentido do vento e o formato das dunas).

No primeiro dia você precisa sair super cedo de Atins (umas 3h da matina) pra fazer a caminhada até o primeiro oásis  (Baixa Grande), que fica a uns 30 km de distância. É bem puxado, ainda mais caminhando nas dunas e com solão na cabeça. Dá umas 10h de caminhada, dependendo do ritmo. Em Baixa Grande você pode almoçar, jantar e dormir, tem algumas famílias que vivem lá (o valor da refeição é 25,00). E descansar para o dia seguinte!

No segundo dia a caminhada é mais leve, são 9 km até chegar ao próximo oásis (Queimada dos Britos), então dá pra sair mais tarde. O esquema é o mesmo, rola almoço, jantar e pernoite (20,00 por noite em rede).

No terceiro dia você chega ao destino final – caminha mais 14 km até Betânia, e de lá pega uma Toyota até Santo Amaro. Não cheguei a conhecer Santo Amaro, mas dizem que é muito bonita, compensa ficar um dia por lá e conhecer a Lagoa das Gaivotas.

Para chegar em Barreirinhas, você provavelmente vai precisar passar antes por Sangue, e de lá pegar um transporte pra Barreirinhas.

Para esse passeio é importante ter um guia – o Chico, indicado pela Tia Rita, da pousada em Atins, é super gente fina e faz esse passeio, cobrando 150 a diária (são 3 dias). Se estiver só em duas pessoas, dá pra negociar com ele a diária por 100, pra não ficar tão caro. 

Lençóis Maranhenses - Atins - Lagoa TropicalO ideal é não fazer a caminhada com a mochila toda, e sim levar uma pequena, só com o necessário para os 3 dias – você pode enviar tua mochila maior para Barreirinhas, o pessoal da pousada Irmão Atins faz isso por 15,00.

Pra ter uma noção de gastos: considerando que esteja em um grupo de 4 pessoas, teus gastos durante o percurso serão (sem considerar gastos no destino final): o guia durante 3 dias (450,00 para 4 pessoas, ou 113 por pessoa), duas pernoites em redes (40,00), dois almoços e duas jantas (100,00 + o que você beber) e transporte da tua mochila até Barreirinhas (15,00) – total: aprox 270,00 (+ bebidas e + gastos de almoço em Betânia e transporte de lá até Santo Amaro).

Pra ver mais infos sobre a travessia, dá uma olhada nesse tópico no Mochileiros ou então nesse post do Aventura Mango. 

Lençóis Maranhenses - Atins - Lagoa Tropical – Rota das Emoções: esse é o nome dado ao percurso entre Lençóis, Delta do Parnaíba e Jericoacoara. Bastante gente faz esse trajeto, passando normalmente por Santo Amaro – Barreirinhas – Paulino Neves – Tutoia – Parnaíba – Camocin – Jeri. Parte do percurso é feita de Toyota, parte de busão. Não é preciso fechar com agência, mas caso queira, segue uma indicação: Pipa Tour – Fernando.

 

Tem um relato bem legal sobre essa rota no blog Dondeando Por Aí.

 

Fonte: Leia e acompanhem o Blog Mochilão Trips

É mochileira, publicitária e curitibana. Já fez uma Volta ao Mundo de 404 dias e várias outras trips – muitas delas, viajando sozinha. Aqui no blog dá dicas pra te inspirar a viajar, e pra te ajudar a cair na estrada gastando pouco.

 

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