Caminhada Jampa Negra: Uma vivência que conecta história e cultura em João Pessoa

Uma rota pelo tempo e pela ancestralidade no Centro Histórico

 

Na manhã de 7 de fevereiro de 2026, João Pessoa será palco de uma experiência que vai muito além de uma simples caminhada turística. A Caminhada Jampa Negra reúne história, cultura e reflexão ao longo de um percurso pelo Centro Histórico da capital paraibana, convidando participantes a revisitar espaços marcados pela presença e contribuição da população negra na construção da identidade da cidade.

Promovida pela agência Apuama Turismo, especializada em afroturismo e em narrativas que valorizam as raízes afro-brasileiras e indígenas, a caminhada integra turismo, educação e memória. Ela estimula um olhar atento, crítico e sensível sobre lugares do cotidiano que normalmente passam despercebidos.

 

Por que essa caminhada importa

Ao longo de cerca de três horas, a Jampa Negra proporciona uma imersão qualitativa na história pública e cultural de João Pessoa. A proposta é simples e profunda ao mesmo tempo: ressignificar espaços urbanos, resgatar memórias marginalizadas e promover a conscientização sobre a contribuição da população negra na formação da sociedade brasileira.

Em vez de apenas seguir um roteiro turístico tradicional, os participantes são convidados a perceber a cidade sob outra perspectiva — uma perspectiva antirracista, que conecta narrativas invisibilizadas a lugares concretos, como praças, igrejas e ruas históricas. Essa abordagem ressoa com iniciativas similares de valorização da cultura negra em roteiros urbanos pelo Brasil, que buscam fazer do turismo um instrumento de inclusão e educação.

 

O que esperar do percurso

O ponto de encontro será no Centro Cultural São Francisco, às 9h, com tolerância de 15 minutos para chegadas. A caminhada passa por locais que representam marcos da memória histórica e cultural da cidade, como:

  • Praça dos Três Poderes
  • Ponto de Cem Réis
  • Rua Direita (atual Duque de Caxias)
  • Igreja da Misericórdia
  • Praça Barão do Rio Branco

Além de caminhar, os participantes têm a oportunidade de aprender com guias credenciados pelo Cadastur, incluindo um professor de artes visuais especializado em história da arte e cultura afro-brasileira. A vivência, que custa R$ 50,00, inclui essa mediação cultural e busca provocar diálogos entre passado e presente, entre memórias coletivas e a vivência cotidiana da cidade.

 

Detalhes práticos para participar

A caminhada está programada para ocorrer no sábado de 7 de fevereiro, com início às 9h, partindo do Centro Cultural São Francisco. Tem duração aproximada de três horas e recomenda-se o uso de roupas confortáveis, calçados adequados, chapéu, protetor solar, água e óculos escuros — itens essenciais para aproveitar a experiência com conforto e segurança.

Pessoas com mobilidade reduzida devem considerar que o percurso envolve deslocamentos a pé em vias históricas, o que pode exigir esforço físico.

 

Caminhar para lembrar, para aprender, para valorizar

A Caminhada Jampa Negra não é apenas um passeio. Ela é um convite para reconhecer trajetórias invisibilizadas, para celebrar a presença negra nas ruas e edifícios de João Pessoa e, sobretudo, para reforçar a importância de olhar para o passado com consciência crítica.

Ao conectar lugares a histórias de resistência e contribuição cultural, o evento reforça que a história local é feita de muitas vozes, e que entender essas vozes nos ajuda a construir narrativas mais justas, diversas e enriquecedoras para todos.

 

 

Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.

 

 

 

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