Campina Grande ganha mapeamento inédito da cultura e convoca artistas para construir retrato coletivo da cidade

Iniciativa reúne coletivos, mestres da cultura e juventudes periféricas para dar visibilidade à diversidade cultural do município

 

Campina Grande está prestes a olhar para si mesma de um jeito diferente. E não é força de expressão. Um novo mapeamento cartográfico da cultura local quer reunir, pela primeira vez de forma organizada, quem faz a cultura pulsar na cidade — do centro às periferias, do tradicional ao urbano.

A proposta parte de uma pergunta simples, mas poderosa: quem são, onde estão e como atuam os fazedores de cultura campinenses?

A partir daí, nasce uma ação que pode influenciar diretamente o futuro das políticas culturais no município.

 

Um chamado direto para quem faz cultura acontecer na cidade

Com o lema “do chão da aldeia ao asfalto da batalha”, o Mapeamento Cartográfico da Cultura em Campina Grande surge como uma convocação aberta. Mais do que um levantamento técnico, a ideia é construir um retrato vivo da cena cultural local a partir da participação direta de artistas, coletivos e comunidades.

A iniciativa integra o Programa Nacional de Comitês de Cultura (PNCC), por meio da atuação do agente territorial Matheus Ives, em parceria com o Comitê de Cultura da Paraíba, o CENTRAC e pontos de cultura da cidade.

Ao mesmo tempo, o projeto se conecta com uma demanda antiga: tornar visível uma produção cultural diversa que, muitas vezes, segue à margem das políticas públicas.

 

Por que esse mapeamento pode mudar o jogo da cultura local

Antes de tudo, mapear é reconhecer. E esse reconhecimento vai além do simbólico.

Com os dados organizados, será possível entender melhor quem são os agentes culturais, quais linguagens estão mais presentes e onde estão os vazios de investimento. Dessa forma, o mapeamento abre caminho para decisões mais assertivas.

Na prática, isso significa:

  • Direcionar políticas públicas mais alinhadas com a realidade local
  • Fortalecer redes entre artistas e coletivos
  • Orientar editais e ações de fomento
  • Criar um panorama real da produção cultural da cidade

Além disso, o levantamento ajuda a dar voz a expressões que historicamente enfrentam invisibilidade, como culturas periféricas, indígenas, quilombolas e tradições populares.

 

A força cultural de Campina que ainda não aparece nos dados

Campina Grande sempre foi um território de efervescência cultural. No entanto, essa potência nem sempre aparece nos registros oficiais.

Enquanto grandes eventos ganham destaque, muitas iniciativas de base seguem atuando sem acesso a recursos, formação ou reconhecimento institucional. Por isso, o mapeamento também funciona como uma ferramenta política.

Ele transforma vivências, saberes e práticas culturais em dados concretos — e isso, no contexto das políticas públicas, faz toda a diferença.

 

Quem pode participar do mapeamento cultural

A participação é ampla e inclui praticamente todo o ecossistema cultural da cidade. Entre os públicos convocados estão:

  • Artistas de todas as linguagens
  • Grupos e coletivos culturais
  • Pontos e pontões de cultura
  • Comunidades tradicionais
  • Juventudes periféricas e cultura urbana (slam, hip hop, grafite, batalhas de rima)
  • Mestres e mestras da cultura popular
  • Iniciativas culturais comunitárias
  • Espaços culturais como bibliotecas, museus e centros culturais

Ou seja, não importa se a atuação é formal ou independente. O critério principal é fazer cultura acontecer.

 

Como participar e contribuir com o retrato cultural da cidade

A participação é gratuita e acontece de forma online, por meio de formulário.

Após a coleta, os dados serão organizados e darão origem a um mapa cultural e a um dossiê cartográfico. Esse material será disponibilizado tanto para a sociedade civil quanto para o poder público.

Na prática, isso significa que quem participa agora ajuda a definir como a cultura será enxergada — e apoiada — nos próximos anos.

Acesse o formulário: https://forms.gle/4R5S3FsbXE3FFm4KA

 

Uma construção coletiva que depende de mobilização

Por fim, o sucesso do mapeamento depende diretamente da circulação dessa informação.

Quanto mais artistas, coletivos e espaços culturais participarem, mais completo será o retrato da cidade. E, consequentemente, maior será o impacto nas políticas públicas.

Por isso, a recomendação é simples: compartilhar, mobilizar e participar.

Porque, no fim das contas, mapear a cultura é também uma forma de afirmar que ela existe, resiste e merece ser vista.

 

 

Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.

 

 

 

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