Como a técnica da xilogravura resiste no Nordeste
Por Sérgio Melo
Aqui no sertão nordestino, a nossa cultura visual sobrevive firmemente ao tempo. Hoje, a xilogravura continua sendo o coração da arte popular na região. Mestres artesãos preservam essa técnica secular em ateliês familiares espalhados pela Caatinga. Eles usam blocos de madeira e ferramentas rústicas para imortalizar a nossa história.
Principalmente, essa resistência acontece porque a arte se adaptou aos novos tempos. Como técnico em gestão ambiental, observo que o reuso de madeiras fortalece essa tradição. Consequentemente, a prática une sustentabilidade ecológica e identidade cultural de forma brilhante. Portanto, a gravura em relevo não é apenas passado, mas também o nosso futuro.
A escolha consciente da madeira para criar a matriz
Inicialmente, o processo de criação exige um olhar cuidadoso do artista. Ele desenha a imagem diretamente sobre a superfície da madeira escolhida. Antigamente, usava-se muita madeira nativa, mas a consciência ambiental felizmente mudou isso.
Atualmente, opções sustentáveis ou recicláveis, como o pinho e o MDF, ganham bastante espaço. Além disso, o reaproveitamento de cedro e mogno de descarte evita o desmatamento. Assim, o artesão respeita a natureza enquanto prepara a sua tela bruta.
O trabalho com as goivas e o contraste do entalhe
Posteriormente, o artista inicia a fase mais braçal de todo o trabalho. Com o uso de ferramentas chamadas goivas, o artesão cava a madeira. Nesse momento, cada corte precisa ser cirúrgico, irreversível e muito bem pensado.
Por consequência, as partes escavadas pelo artista ficam em branco no papel. Em contrapartida, as áreas que permanecem em relevo vão receber a tinta espessa. Desse modo, o contraste perfeito entre luz e sombra nasce diretamente no entalhe.
Da tinta no rolo à pressão da colher de pau
Finalmente, a magia da impressão ganha vida diante dos nossos olhos. Primeiramente, passa-se tinta com um rolo uniformemente sobre o relevo da matriz. Em seguida, o papel é posicionado com extrema delicadeza sobre o bloco tingido.
Embora muitos ateliês modernos utilizem uma prensa mecânica, a tradição ainda resiste. Frequentemente, o mestre artesão usa apenas uma colher de pau pressionando o papel. Por fim, a figura é gravada de forma invertida, perpetuando a alma nordestina.