1º Curso de Agrofloresta no Sítio Flor da Mata, em Puxinanã, com Antônio Gomides, transforma conhecimento em prática no campo
Durante três dias, iniciativa reuniu participantes de diferentes áreas e estados do Nordeste para aprender, na prática, técnicas de regeneração do solo e produção sustentável no semiárido
Quando o conhecimento sai do papel e ganha o campo
Durante três dias no Sítio Agroflorestal Flor da Mata, em Puxinanã, no agreste paraibano, eu acompanhei de perto uma experiência que vai além da sala de aula. O 1º Curso de Agrofloresta, ministrado por Antônio Gomides, mostrou, na prática, que é possível transformar o solo e a forma de produzir no semiárido.
Desde o início, ficou evidente que o curso não se limitava à teoria. Pelo contrário, cada atividade foi pensada para colocar os participantes em contato direto com a terra, estimulando a observação, o entendimento dos ciclos naturais e a aplicação imediata das técnicas.
Entre a vivência e o registro: três dias de imersão no campo
Eu estive presente durante os três dias do curso, não apenas como aluno, mas também realizando a cobertura completa da experiência. Ao longo da imersão, fui registrando os momentos, as práticas e, principalmente, os aprendizados que emergiam a cada atividade.
Como resultado desse processo, produzi um documentário que foi publicado no YouTube, reunindo parte do vasto conhecimento compartilhado ao longo do curso. O material busca traduzir, de forma sensível e direta, aquilo que vivenciamos no campo.
Além disso, estive ao lado do amigo João Gabriel e meu sócio, Pablo Queiroz, representando nossos empreendimentos RUTech e Indra. Essa participação também reforça nosso compromisso com iniciativas que unem inovação, tecnologia e sustentabilidade aplicada ao território.
Ao mesmo tempo, a experiência ganhou um cuidado especial no dia a dia com a presença da personal chef Erika Fernanda, que esteve conosco durante os três dias. Com uma culinária afetiva, ela nos brindou com refeições que carregavam o sabor de comida da casa da vó, trazendo cheiro, memória e identidade da nossa terra para dentro da vivência no campo.
Uma iniciativa que nasce do território e ganha força coletiva
O curso foi idealizado pelo estudante de biologia Igor Bruny e pela professora de yoga Jéssica Araujo. Juntos, eles construíram uma proposta que dialoga diretamente com as necessidades do território, ao mesmo tempo em que abre espaço para novas formas de pensar a produção no campo.
Além disso, a iniciativa contou com o apoio de Natan Dias, à frente da LABOREMOS, que levou equipamentos essenciais para o trabalho no campo. Na prática, esses equipamentos demonstraram eficiência e contribuíram para otimizar atividades que exigem esforço físico intenso, facilitando o manejo e ampliando a produtividade.
Com isso, o curso conseguiu unir organização, estrutura e propósito, elementos que foram decisivos para o bom andamento das atividades.
Antônio Gomides e a agrofloresta como ferramenta de transformação
À frente do curso, Antônio Gomides trouxe uma abordagem direta, baseada na experiência prática e na observação da natureza. Conhecido também pelo seu trabalho de difusão da agrofloresta no YouTube, ele tem atraído cada vez mais pessoas interessadas em sistemas produtivos sustentáveis.
Durante os três dias, Gomides apresentou técnicas de implantação de sistemas agroflorestais capazes de reduzir a necessidade de água, algo essencial para regiões áridas e secas. Ao mesmo tempo, ele demonstrou como organizar o plantio de forma estratégica, promovendo o aumento da fertilidade do solo e a recuperação de áreas degradadas.
Na prática, o que se vê é a transformação gradual de terras áridas em ambientes produtivos, biodiversos e resilientes.

Agrofloresta como alternativa viável para o semiárido
Um dos pontos mais relevantes do curso foi a aplicabilidade das técnicas apresentadas. Não se trata de um modelo distante da realidade local. Pelo contrário, a agrofloresta surge como uma alternativa concreta para agricultores e produtores do semiárido.
Além disso, o sistema propõe uma mudança de lógica. Em vez de explorar o solo de forma intensiva, ele passa a ser manejado de maneira integrada, respeitando os processos naturais. Com isso, é possível produzir alimentos, conservar a biodiversidade e recuperar o solo simultaneamente.
Dessa forma, o curso também funcionou como um espaço de reflexão sobre o futuro da produção agrícola no Nordeste.
Diversidade de participantes fortalece a troca de experiências
Outro destaque foi a diversidade dos participantes. Estiveram presentes professores, estudantes, médicos, gestores ambientais, personal chefe e pessoas vindas de diferentes estados do Nordeste.
Essa pluralidade contribuiu diretamente para enriquecer o aprendizado. Ao longo das atividades, as trocas de experiências ampliaram a compreensão sobre os desafios do campo e, ao mesmo tempo, apontaram caminhos possíveis.
Além disso, havia um elemento comum entre todos: o interesse genuíno em aprender, compartilhar e contribuir com a conservação ambiental.

Um passo concreto para um novo modelo de produção
Ao final dos três dias, fica evidente que o 1º Curso de Agrofloresta no Sítio Flor da Mata não foi apenas uma capacitação técnica. Ele representa um movimento em construção, que busca reconectar produção, sustentabilidade e conhecimento.
Se por um lado o semiárido ainda enfrenta desafios históricos, por outro, iniciativas como essa mostram que existem soluções viáveis, acessíveis e replicáveis.
Mais do que ensinar técnicas, o curso deixa uma mensagem clara: é possível produzir respeitando a natureza e, ao mesmo tempo, regenerar o que antes parecia perdido.

Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.