Economia circular dispara no mundo e pode movimentar US$ 355 bilhões até 2032

Com uma ‘taxa de crescimento anual composta’ (do inglês, CAGR) de 11%, a indústria verde deve saltar de US$ 149 bi para US$ 355 bilhões nos próximos quatro anos.

 

Segundo projeções da DataM Intelligence, publicado no relatório ‘Circular Economy Market’, o mercado global de ‘economia circular’ deve injetar cerca de US$ 355 bilhões na economia até 2032, com uma taxa crescimento anual de até 11%.

De acordo com as projeções, governos de todo o mundo estão acelerando a ‘transição’ para a economia circular, incorporando a circularidade em leis e políticas públicas, ao mesmo tempo em que impulsionam novos mercados, tecnologias e oportunidades de trabalho associadas à sustentabilidade. A preocupação foi reforçada diante da estagnação recente das taxas de circularidade. Para se ter uma noção, dos 106 bilhões de toneladas de materiais consumidos ao ano no mundo, apenas 6,9% passam pela reciclagem e são reinseridos nas cadeias produtivas, deixando mais de 90% dos recursos em cadeias de consumo lineares – sistema econômico tradicional baseado na extração, uso e descarte de resíduos.

Com quedas consecutivas na taxa de reciclagem global, autoridades e governanças vêm se posicionando para reverter o quadro, com investimentos em tecnologia e cooperação internacional. No Brasil, a situação é ainda mais agravante: as taxas gerais de reciclagem caíram para 4%, abaixo do patamar mundial, ainda segundo a DataM.

Contudo, apesar do histórico preocupante, o Brasil projeta uma retomada sustentável alinhada às diretrizes internacionais. Para a embaixadora do Instituto Reinventando Futuros e idealizadora do Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC), Liu Berman, o país retomou o debate sobre circularidade com mais intensidade após uma série de ações cooperativistas nacionais e internacionais, como a Agenda 2030 da ONU, a COP30, o Plano Nacional de Economia Circular (2025–2034) e o Plano de Transformação Ecológica (PTE) ‘Novo Brasil’, do Ministério da Fazenda.“Percebemos um movimento cada vez mais estruturado no país, em que a economia circular deixa de ser apenas um conceito e passa a orientar estratégias concretas de desenvolvimento, inovação e competitividade. O Brasil é um verdadeiro laboratório vivo de soluções para o futuro: temos uma biodiversidade única, uma base produtiva diversa e um povo extremamente criativo. Quando conseguimos conectar governos, setor produtivo, academia e sociedade civil em torno de soluções para os territórios, o país avança com ainda mais força na transição para uma economia circular”, diz.

Retomada da ‘circularidade’ no Brasil e protagonismo nordestino

Na rota da ‘nova economia’, cerca de seis em cada dez indústrias brasileiras já adotam práticas de economia circular, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os números têm inflacionado o mercado sustentável, que passou à atrair o olhar do setor público e privado para os modelos circulares, embora esteja aquém do esperado com relação ao setor internacional.

O nível de circularidade, que varia entre diferentes setores da indústria, encontrou uma adesão maior em empresas de calçados (86%), biocombustíveis (82%), coque e derivados do petróleo (80%), além de celulose e papel (79%). Esse aquecimento gradual de diferentes mercados está alinhado ao novo ‘Plano de Transformação Ecológica’ (PTE) do Ministério da Fazenda, que prevê a ‘transição ecológica’ no desenvolvimento da indústria, agricultura, energia, finanças e sociedade civil.

Para Liu Berman, a “transição verde” demorou à chegar em setores estratégicos da economia, no entanto, encontrou um território fértil para seu desenvolvimento. Entre as regiões que podem protagonizar a escalada da economia circular no país, Liu destaca a região Nordeste como um território estratégico para a implementação de novos modelos produtivos.

“O Nordeste reúne condições muito particulares para acelerar essa agenda. A região concentra cadeias produtivas intensivas em recursos naturais, como agroindústria, têxtil, energias renováveis e bioeconomia, que possuem grande potencial para incorporar princípios de circularidade — do reaproveitamento de resíduos ao redesenho de processos produtivos. Ao mesmo tempo, o Nordeste tem demonstrado uma forte capacidade de inovação territorial, onde iniciativas locais começam a transformar desafios históricos em oportunidades de desenvolvimento sustentável”, afirma.

Conectar a região Nordeste às agendas nacionais e internacionais, no entanto, tem sido um desafio para as autoridades. Embora a faixa territorial seja apontada como uma das principais aceleradoras da ‘transição verde’ no Brasil, devido aos bons índices, os desafios estruturais, socioeconômicos e culturais seguem como barreiras para a execução das estratégias. Apesar das dificuldades, autoridades nacionais e internacionais levam cada vez mais discussões sobre a economia circular na região, através do triênio do Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC).

“Articulamos três dias intensos de debates e articulações com autoridades públicas, setor produtivo, universidades e sociedade civil. O objetivo é justamente conectar o Nordeste às grandes agendas da transição ecológica e traduzir, para o território, os instrumentos econômicos e as políticas públicas que estão sendo estruturadas no país. O Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC) nasce com esse papel: integrar agendas, estruturar projetos e fortalecer uma rede de cooperação capaz de transformar a transição ecológica em desenvolvimento econômico, geração de oportunidades e soluções concretas para a região. O legado, no entanto, vai além dos três dias do Fórum, se perpetuando através de políticas públicas e métricas de desenvolvimento socioeconômicos”, comenta Liu.

Ao conectar governos, setor produtivo, universidades e sociedade civil, Berman explica que o Fórum contribui para transformar a economia circular em um dos pilares do desenvolvimento regional, ampliando a competitividade sustentável;  reforçando oportunidades econômicas para a região, e se estabelecendo como plataforma territorial de articulação, convergência e execução da transição ecológica no Nordeste.

Impulsionados pela onda ‘otimista’ da transição ecológica, observada pelo Fórum Econômico Mundial e pela matriz estratégica nacional do Plano de Transformação Ecológica (PTE), o FNEC reúne em março mais de 200 autoridades para propor um legado duradouro, que atravessa a geração de emprego, renda, qualidade de vida, desenvolvimento de cadeias sustentáveis e cidades mais resilientes.

“Para nós, a transição ecológica vai muito além de metas ambientais. A economia circular é uma política de desenvolvimento que reorganiza cadeias produtivas, cidades, trabalho e inovação. O Nordeste se afirma como protagonista das novas economias, circulares, populares, solidárias, criativas e de impacto, capazes de gerar competitividade e inclusão. Nosso foco é deixar um legado duradouro, fortalecendo políticas públicas estruturantes, estimulando o desenvolvimento econômico sustentável e garantindo resultados concretos para a região. O fenômeno internacional da geração de empregos da ‘transição ecológica’ é apenas o primeiro passo de toda uma cadeia reestruturada em prol da economia sustentável e para isso, conduzimos nosso papel enquanto articuladores territoriais desse movimento no Nordeste”, conclui.

Serviço:

Ano III do Fórum Nordeste de Economia Circular
Quando:  de 25 a 27 de março (as atividades do dia 26 de março, pela manhã, são reservadas a convidados)
Onde:
Hub Cultural Porto Dragão: rua Bóris, 90 C – Centro, Fortaleza – CE, 60060-190
KUYA — Centro de Design do Ceará: rua Sen. Jaguaribe, 323 – Mousa Brasil, Fortaleza – CE, 60010-010
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura: rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema, Fortaleza – CE, 60060-390 – Evento gratuito 

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