Iphan abre consulta pública sobre o Plano de Salvaguarda da Capoeira de Pernambuco

Mestres e grupos de capoeira podem enviar sugestões ao documento que norteará as políticas públicas de preservação pelos próximos dez anos.

 

Por Sérgio Melo | Paraíba Cultural

 

Recentemente, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Fundarpe deram um passo decisivo para a preservação das nossas tradições. Foi aberta oficialmente a consulta pública para o Plano de Salvaguarda da Capoeira de Pernambuco. Como entusiasta da nossa cultura nordestina e profissional que acompanha de perto a gestão de patrimônios, vejo nesta iniciativa uma oportunidade única para a comunidade capoeirista validar as ações de proteção deste bem imaterial.

Acima de tudo, o documento é o resultado de um longo processo de diálogo iniciado em 2023. Agora, ele chega à fase final, onde quem vive a roda pode opinar diretamente sobre o que foi planejado.

 

Entenda a importância do Plano de Salvaguarda para o setor

A princípio, é fundamental compreender que este plano não é apenas um texto técnico, mas uma ferramenta de gestão. Ele organiza como o Estado deve atuar para garantir a continuidade da Roda de Capoeira e do Ofício dos Mestres. Por meio desse documento, são estabelecidas prioridades em áreas como fomento econômico, educação e infraestrutura para os grupos.

Além disso, a salvaguarda busca proteger a essência do rito contra a descaracterização. Uma vez que a capoeira é um patrimônio vivo, o plano precisa ser dinâmico e refletir as reais necessidades de quem está no chão da academia. Portanto, a participação popular é o que garante a legitimidade de cada diretriz proposta.

 

Como participar e enviar suas contribuições até 13 de maio

Se você é mestre, contramestre, aluno ou pesquisador, saiba que o processo de contribuição é simplificado e acessível. As informações estão centralizadas e podem ser enviadas de forma remota, garantindo que o alcance chegue a todo o interior do estado.

  • Acesso aos documentos: O texto-base está disponível nos sites oficiais do Iphan e da Fundarpe.
  • Envio de sugestões: As opiniões devem ser encaminhadas via formulário eletrônico ou e-mail institucional indicado nos portais.
  • Prazo limite: As contribuições serão aceitas apenas até o dia 13 de maio.

Consequentemente, após o encerramento deste prazo, as sugestões serão analisadas tecnicamente para a redação final do documento. É o momento de assegurar que as particularidades regionais — do litoral ao sertão — estejam devidamente representadas.

 

O papel da coletividade na preservação do patrimônio imaterial

Em conclusão, a abertura desta consulta pública reforça a ideia de que a cultura não se faz de forma isolada, mas sim coletiva. No Paraíba Cultural, sempre defendemos que a preservação do nosso legado depende do engajamento direto dos detentores do saber.

Dessa forma, convoco os amigos capoeiristas de Pernambuco e também os interessados na salvaguarda cultural para que leiam e colaborem com o plano. Afinal, ao fortalecermos a proteção da capoeira em Pernambuco, estamos enviando uma mensagem poderosa de valorização das raízes africanas em todo o Brasil. Por fim, lembre-se: o futuro da roda depende da sua voz hoje.

 

 

 

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