Mangaba: a fruta nordestina que une saúde, cultura e sustentabilidade no jardim ou quintal
Por Sérgio Melo
Símbolo de resistência, sabor e biodiversidade, a mangaba é uma das frutas mais emblemáticas do Nordeste brasileiro. Nativa de ecossistemas como a Caatinga, o Cerrado e os tabuleiros costeiros, a mangabeira (Hancornia speciosa) vai muito além do valor gastronômico: ela representa um elo entre saúde humana, sustentabilidade ambiental e cultura popular, podendo ser cultivada em quintais, jardins produtivos e sistemas agroecológicos.
Tradicionalmente colhida por comunidades extrativistas, especialmente mulheres conhecidas como mangabeiras, a fruta carrega um profundo valor social e cultural. Seu cultivo e preservação contribuem para a manutenção de modos de vida tradicionais e para a conservação de espécies nativas ameaçadas pela expansão urbana e agrícola.
Um alimento funcional direto da natureza
Do ponto de vista nutricional, a mangaba é considerada um alimento funcional. Rica em vitamina C, ferro, cálcio e compostos antioxidantes, a fruta fortalece o sistema imunológico, auxilia na saúde óssea e contribui para a prevenção de doenças inflamatórias. Seu consumo regular está associado à melhora da digestão e ao combate aos radicais livres.
Além da polpa, amplamente utilizada em sucos, sorvetes, doces e geleias, outras partes da planta também possuem uso tradicional. O látex da mangabeira, por exemplo, já foi empregado popularmente para fins medicinais, enquanto as folhas são estudadas por suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes.
Sustentabilidade que nasce no quintal
Cultivar mangaba em casa é um ato de sustentabilidade. A mangabeira é uma espécie rústica, adaptada a solos pobres e a períodos de seca, característica fundamental para regiões semiáridas. Isso significa menor necessidade de irrigação intensa e de insumos químicos, tornando-a ideal para quintais agroecológicos e jardins com foco em conservação ambiental.
Quando inserida em sistemas agroflorestais ou quintais produtivos, a mangabeira contribui para a recuperação do solo, para o aumento da biodiversidade local e para a atração de polinizadores, como abelhas nativas. Dessa forma, a planta atua como elemento estratégico na construção de paisagens mais resilientes às mudanças climáticas.
Preservar é também plantar
Apesar de sua importância, a mangaba enfrenta ameaças crescentes, como o desmatamento, a especulação imobiliária e a perda de territórios tradicionais de coleta. Incentivar o plantio doméstico e comunitário é uma forma concreta de preservar a espécie e garantir sua permanência para as futuras gerações.
Ao escolher a mangabeira para o jardim ou quintal, o cultivador não apenas colhe frutos saudáveis, mas também participa de um movimento maior de valorização da flora nordestina, da cultura alimentar regional e da sustentabilidade ambiental.
Em tempos de crise climática e insegurança alimentar, a mangaba se reafirma como um exemplo de que soluções simples, enraizadas no território e no conhecimento tradicional, podem gerar benefícios amplos — para a saúde, para o meio ambiente e para a identidade cultural do Nordeste.
