Mudanças climáticas ampliam desafios para a atividade humana e exigem respostas urgentes
As mudanças climáticas deixaram de ser uma previsão distante para se tornar um dos maiores desafios da atividade humana no século XXI. O fenômeno global está diretamente ligado ao aumento da temperatura média da superfície do planeta e já provoca impactos profundos nos ecossistemas, na economia e no modo como as sociedades se organizam.
De forma simples, as mudanças climáticas são alterações de longo prazo nos padrões de temperatura e clima da Terra. Embora esses ciclos sempre tenham existido, o processo se intensificou a partir da década de 1950, impulsionado pela Revolução Industrial, iniciada no final do século XVIII, quando a queima de carvão e petróleo passou a ocorrer em larga escala.
Desde então, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) se consolidaram como um dos principais vetores do agravamento da crise climática em escala global. Esses gases, liberados sobretudo pela indústria, pelos transportes e pela produção de energia, retêm calor na atmosfera e aceleram o aquecimento do planeta.
O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu como meta limitar o aquecimento global a 1,5°C. Para que isso seja possível, seria necessário reduzir as emissões globais em 45% em relação aos níveis de 2010 até 2030, além de manter uma queda contínua até alcançar emissões líquidas zero em 2050. O desafio, no entanto, segue enorme.
Entre os anos 2000 e 2013, as emissões dos países em desenvolvimento cresceram 43,2%. Esse aumento está diretamente relacionado à intensificação dos processos de industrialização e ao crescimento econômico, medido principalmente pelo Produto Interno Bruto (PIB). O dado revela um dilema central do nosso tempo: como crescer economicamente sem aprofundar a crise ambiental.
Para Vininha F. Carvalho, economista, ambientalista e editora da Revista Ecotour News & Negócios, o cenário exige escolhas claras. “Se não for limitado o aquecimento a 1,5 °C até o final deste século, os cientistas alertam para riscos irreversíveis aos ecossistemas e à economia global. Além de contribuir para o combate à crise climática, a adoção de fontes renováveis também prepara o setor industrial para atender às exigências do futuro”, destaca.
No Brasil, os números reforçam a urgência do tema. Dados do Climate Watch apontam que, em 2022, o país ocupou a sexta posição entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo. Segundo o Observatório do Clima e o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), apenas o setor industrial foi responsável pela emissão de 154 milhões de toneladas de CO₂ em 2023.
Os impactos das mudanças climáticas também são sentidos nos oceanos. A Unesco informou que 2023 registrou as maiores temperaturas oceânicas já observadas. Nos últimos 20 anos, a taxa de aquecimento global duplicou, e a costa brasileira tem apresentado temperaturas cerca de 2°C acima da média histórica. Entre as consequências está o aumento da salinidade, fenômeno que pode afetar diretamente atividades marítimas, a pesca e os ecossistemas costeiros.
Diante desse cenário, o Brasil deu um passo importante ao aprovar, em 11 de dezembro de 2024, a Lei nº 15.042, que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). O objetivo é controlar, monitorar e reduzir as emissões de carbono no país, alinhando o Brasil às estratégias globais de enfrentamento da crise climática.
“A criação do SBCE representa um avanço importante na construção de uma economia de baixo carbono no Brasil”, conclui Vininha F. Carvalho.
A discussão sobre mudanças climáticas não é apenas ambiental. Ela atravessa a economia, a política, a cultura e o cotidiano das pessoas. Entender o problema é o primeiro passo para transformar modelos de produção, consumo e desenvolvimento, buscando caminhos mais justos e sustentáveis para o presente e o futuro.
Fonte parceira: www.revistaecotour.tur.br
Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.
