Orizon inaugura hub de biometano em Pernambuco e aposta R$ 258 milhões na energia do futuro

Nova planta transforma resíduos urbanos em combustível limpo e posiciona o Nordeste como peça-chave na transição energética brasileira

 

Do lixo à energia, uma mudança que já começou

A transição energética no Brasil ganhou um novo capítulo relevante. A Orizon inaugurou, no dia 27 de março de 2026, uma planta de biometano no Ecoparque Jaboatão, em Pernambuco. Com investimento de R$ 258 milhões, a iniciativa não apenas amplia a produção de energia renovável, como também conecta, de forma prática, a gestão de resíduos urbanos à descarbonização.

Além disso, o projeto reforça o papel do Nordeste como território estratégico nesse processo. Ao transformar lixo em combustível limpo, a operação aponta para um modelo mais eficiente e sustentável de produção energética no país.

 

Como funciona a produção de biometano a partir de resíduos urbanos

Antes de tudo, é importante entender o processo. O biometano é produzido a partir do biogás, que surge naturalmente da decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários. No Ecoparque Jaboatão, esse gás é capturado e, em seguida, passa por um processo de purificação até atingir padrão semelhante ao gás natural.

Com isso, o combustível renovável pode ser utilizado na mesma infraestrutura já existente, sem necessidade de adaptações. Ou seja, trata-se de uma solução que alia inovação tecnológica à viabilidade econômica.

Atualmente, a planta tem capacidade de produzir cerca de 108 mil metros cúbicos de biometano por dia. Esse volume será injetado diretamente na rede de gasodutos da Copergás, abastecendo tanto indústrias quanto residências.

 

Ecoparque Jaboatão: estrutura que conecta cidades e soluções ambientais

O Ecoparque Jaboatão se consolida como um dos principais ativos ambientais da região. Isso porque recebe diariamente cerca de 3,5 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos, gerados por aproximadamente 2,5 milhões de pessoas.

Entre as cidades atendidas estão Recife, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Vitória de Santo Antão e Moreno. Dessa forma, o empreendimento não apenas resolve um problema urbano crítico, como também transforma esse passivo ambiental em oportunidade energética.

Além da planta de biometano, o espaço abriga o Instituto Orizon Social, que atua com educação ambiental e desenvolvimento sustentável nas comunidades do entorno.

 

Por que o biometano é estratégico para o futuro energético do Brasil

Diferentemente de outras fontes renováveis, o biometano apresenta uma vantagem decisiva: a produção contínua. Como depende de resíduos urbanos, e não de fatores climáticos, o fornecimento é estável ao longo de todo o ano.

Além disso, a proximidade com grandes centros urbanos reduz custos logísticos e facilita a distribuição. Isso torna o biometano especialmente interessante para setores como transporte pesado, mobilidade urbana e indústrias.

Outro ponto importante é a infraestrutura já existente. Como o biometano pode ser injetado diretamente na rede de gás, sua adoção acontece de forma mais rápida, sem grandes investimentos adicionais.

 

Investimento e regulação reforçam segurança da operação

A construção da planta teve início em maio de 2024 e foi concluída no final de 2025, com financiamento do Banco do Nordeste. Paralelamente, a operação recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), garantindo conformidade com as normas técnicas e operacionais do setor.

Esse conjunto de fatores aumenta a confiabilidade do projeto. Ao mesmo tempo, sinaliza para o mercado que o biometano já é uma alternativa madura e pronta para expansão em escala nacional.

 

Um novo passo na descarbonização da economia brasileira

Para a Orizon, a planta representa mais do que um investimento pontual. Trata-se de um ativo estratégico dentro da agenda de transição energética. Segundo a empresa, a proposta é oferecer soluções que permitam às indústrias reduzir emissões sem comprometer desempenho.

Nesse sentido, o biometano surge como uma ponte viável entre o modelo atual e uma economia de baixo carbono. Além disso, a empresa já avalia a implantação futura de sistemas de liquefação, o que ampliaria o alcance do combustível para regiões fora da malha de gasodutos.

 

Pernambuco entra no mapa da energia limpa no Brasil

Com a inauguração da planta no Ecoparque Jaboatão, Pernambuco passa a ocupar posição estratégica no cenário energético nacional. Mais do que isso, o projeto mostra que soluções sustentáveis podem, sim, ser escaláveis, eficientes e economicamente viáveis.

Ao transformar resíduos em energia, a iniciativa aponta um caminho concreto para cidades mais limpas e sistemas energéticos mais inteligentes. E, nesse contexto, o biometano deixa de ser promessa e passa a ser realidade no Brasil.

 

 

Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.

 

 

 

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