Paraíba é o segundo maior produtor de abacaxi do Brasil e movimenta mais de R$ 345 milhões por ano
A Paraíba consolidou sua força no campo e, mais do que isso, reafirmou sua importância no cenário nacional da fruticultura. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Estado ocupa o segundo lugar na produção de abacaxi no Brasil, resultado que não apenas evidencia a vocação agrícola paraibana, mas também demonstra o peso econômico da cultura para milhares de famílias.
Atualmente, a abacaxicultura se espalha pelo Litoral, Zona da Mata e Agreste, ocupando 10.912 hectares. Como consequência direta dessa área produtiva, a renda gerada ultrapassa R$ 345 milhões, com uma produtividade média de 30.689 frutos por hectare. Ou seja, trata-se de uma cadeia que combina escala, eficiência e impacto social.
Produção expressiva coloca a Paraíba entre os líderes nacionais
Segundo levantamento do IBGE referente a 2018, a Paraíba colheu 334.880.000 frutos. Enquanto isso, o Pará liderou o ranking nacional com 426.780.000 unidades, seguido por Minas Gerais, que registrou 192.189.000 frutos.
Portanto, mesmo estando atrás do Pará em volume absoluto, a Paraíba mantém uma posição estratégica. Além disso, os números demonstram uma produção altamente organizada e competitiva, especialmente quando se considera a dimensão territorial do Estado.
Ainda mais relevante é o fato de que grande parte dessa produção abastece outros mercados. Conforme explica o pesquisador Eliazar Felipe, da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária, os frutos paraibanos chegam com força à região Sudeste, sobretudo ao Rio de Janeiro e a São Paulo, sendo este último o maior importador do abacaxi produzido no Estado.
Qualidade do fruto e tecnologia explicam o desempenho
Não é apenas volume. É qualidade. De acordo com os especialistas da Empaer, o clima favorável e as características do solo contribuem significativamente para o desempenho da cultura. Entretanto, não se trata apenas de condições naturais.
A adoção de tecnologias adequadas de manejo e produção também tem papel decisivo. Por isso, a combinação entre conhecimento técnico e experiência prática dos agricultores tem garantido frutos com alto padrão de sabor e aceitação no mercado nacional.
Esse diferencial, aliás, é constantemente ressaltado pelos técnicos da área. A reputação do abacaxi paraibano está diretamente associada ao sabor, à aparência e à uniformidade do fruto, fatores que ampliam sua competitividade.
Agricultura familiar sustenta 70% da produção
Um dos pontos mais relevantes da cadeia produtiva é o perfil dos produtores. Segundo o extensionista rural George Firmino do Nascimento, da Empaer de Guarabira, cerca de 70% dos abacaxicultores paraibanos são agricultores familiares.
Isso significa que, além de movimentar cifras expressivas, a atividade cumpre um papel social estratégico. Em geral, esses produtores utilizam mão de obra própria, o que reduz custos e fortalece a economia local. Ao mesmo tempo, a cultura gera emprego: para cada hectare plantado, são criados cinco postos de trabalho diretos no campo.
No entanto, é importante destacar que o cultivo exige investimento. O custo médio por hectare chega a aproximadamente R$ 20 mil nas áreas irrigadas e R$ 16 mil nas áreas de sequeiro. Portanto, embora seja uma lavoura rentável, trata-se de uma atividade que demanda planejamento e capital.
Municípios que lideram a produção no Estado
Entre os principais polos produtores estão Itapororoca, Araçagi, Santa Rita, Pedras de Fogo, Lagoa de Dentro e Curral de Cima. Essas cidades concentram parte significativa da produção e, consequentemente, sustentam a posição da Paraíba no ranking nacional.
Além disso, a colheita é intensificada entre agosto e dezembro. Entretanto, nas áreas irrigadas, a produção ocorre ao longo de todo o ano, garantindo regularidade no abastecimento e estabilidade no mercado.
Uma cultura que fortalece a economia e projeta a Paraíba
Em síntese, a abacaxicultura paraibana vai muito além dos números. Embora os dados impressionem, o verdadeiro impacto está na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional. Ao mesmo tempo, a qualidade do fruto fortalece a imagem do Estado no mercado nacional.
Portanto, quando falamos de abacaxi na Paraíba, falamos de economia ativa, agricultura familiar fortalecida e tecnologia aplicada ao campo. E, sobretudo, falamos de uma cadeia produtiva que continua crescendo, gerando oportunidades e consolidando o Estado como referência na fruticultura brasileira.
Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.
