O segredo por trás do Açude Velho: como o Riacho das Piabas fundou Campina Grande e hoje pede socorro
Por Sérgio Melo | Meio Ambiente
Caminhar pelas margens do Açude Velho é um rito de passagem para qualquer campinense ou visitante. Entretanto, poucos param para refletir sobre a origem daquelas águas que espelham o pôr do sol mais famoso da cidade. Recentemente, decidi refazer o caminho inverso do asfalto para entender de onde vem a vida que sustenta nossa “Rainha da Borborema”. Nesse percurso, reencontrei o Riacho das Piabas, um personagem histórico que, apesar de escondido sob o concreto, é o verdadeiro pai da nossa sociedade serrana.
O berço das águas na Mata do Louzeiro
Minha jornada começou na Zona Norte, onde a resistência da natureza ainda enfrenta o avanço imobiliário. É lá, no coração da Mata do Louzeiro, que o Riacho das Piabas ganha seus primeiros fôlegos. Como resultado de um ecossistema privilegiado, as nascentes que brotam naquela região foram o motivo central para que os primeiros desbravadores, liderados por Teodósio de Oliveira Ledo, fincassem acampamento por aqui.
Antigamente, as águas eram tão límpidas que faziam jus ao nome, repletas de pequenos peixes que alimentavam os primeiros moradores. Além disso, a vegetação nativa funcionava como uma esponja natural, garantindo que o fluxo de água permanecesse constante mesmo nos períodos de estiagem. Por consequência, sem esse riacho, Campina Grande simplesmente não existiria no mapa onde está hoje.
O desafio de sobreviver ao crescimento urbano desordenado
Infelizmente, ao seguir o curso das águas em direção ao centro, a paisagem muda drasticamente. Embora o Riacho das Piabas seja fundamental para alimentar o Açude Velho, ele sofre as consequências de décadas de descaso ambiental. Atualmente, grande parte do seu leito está canalizada, passando silenciosamente por baixo de avenidas movimentadas como a Janúncio Ferreira.
Devido ao descarte irregular de esgoto e resíduos sólidos, o riacho acabou se transformando em um canal de drenagem em vários trechos. Por outro lado, movimentos sociais e acadêmicos, como a Articulação pela Revitalização do Riacho das Piabas (ARRPIA), lutam incansavelmente para reverter esse quadro. Afinal, cuidar do riacho não é apenas uma questão estética, mas uma necessidade urgente para garantir a saúde ambiental do nosso cartão-postal mais importante.
Por que precisamos salvar o Riacho das Piabas agora?
Em conclusão, entender a história do Riacho das Piabas é compreender a nossa própria identidade. Se permitirmos que as nascentes da Mata do Louzeiro sequem ou que a poluição domine definitivamente seu curso, apagaremos o registro vivo da nossa fundação. Portanto, a preservação dessa bacia hidrográfica deve ser encarada como prioridade máxima pelo poder público e pela sociedade civil.
Afinal, o Açude Velho é apenas o reflexo do que fazemos com o riacho que o alimenta. Para que as futuras gerações continuem desfrutando da nossa cidade, é preciso que as águas das Piabas voltem a ter a dignidade que tinham quando Campina ainda era apenas uma vila de tropeiros.
Participe da nossa rede de proteção ao Riacho das Piabas
Em resumo, a história de Campina Grande corre junto com as águas desse riacho. Preservar a Mata do Louzeiro e revitalizar o leito das Piabas não é apenas uma pauta ambiental, mas um compromisso com a nossa própria memória. Se não cuidarmos do que nos deu origem, o que restará para as próximas gerações admirarem no espelho d’água do Açude Velho?
Agora, eu quero ver o seu olhar sobre a nossa Rainha da Borborema!
Você tem fotos das nascentes, do curso do riacho ou de momentos especiais no Açude Velho? Poste no Instagram e marque o @ParaibaCultural. Queremos compartilhar os registros dos nossos leitores e criar uma corrente digital pela despoluição e valorização do nosso patrimônio hídrico.
E você, o que acha que falta para o Riacho das Piabas voltar a ter águas limpas? Comente abaixo e vamos ampliar esse debate!
Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.
