Sebrae promove famtour no Sertão e fortalece o turismo literário na Rota do Vale dos Sertões

O Sertão paraibano está vivendo um movimento importante de valorização cultural. Nos últimos dias, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas promoveu um famtour com foco no turismo literário, reunindo agentes de viagem, comunicadores e representantes do setor turístico para conhecer de perto a chamada Rota do Vale dos Sertões.

Mais do que uma ação institucional, a iniciativa aponta para algo maior. Ao investir no turismo literário, o Sebrae reconhece que o Sertão não é apenas paisagem e resistência climática. É também território de memória, narrativa, identidade e produção simbólica. E, justamente por isso, tem potencial real de se consolidar como destino cultural no Nordeste.

 

O que é a Rota do Vale dos Sertões e por que ela importa

A Rota do Vale dos Sertões nasce da ideia de integrar municípios sertanejos a partir de suas referências literárias, históricas e culturais. Ou seja, não se trata apenas de visitar cidades, mas de percorrer histórias.

Ao estruturar essa rota, o Sebrae articula empreendedores locais, poder público e agentes culturais. Dessa forma, cria-se um ambiente favorável para que pousadas, restaurantes, guias e artesãos se beneficiem diretamente do fluxo turístico. Além disso, a proposta contribui para organizar a oferta, qualificar serviços e dar identidade ao destino.

Consequentemente, o turismo literário deixa de ser uma ideia abstrata e passa a funcionar como estratégia concreta de desenvolvimento regional.

 

Famtour como estratégia de posicionamento cultural

O famtour, prática comum no setor turístico, consiste em levar operadores e formadores de opinião para vivenciar o destino. No entanto, neste caso específico, a experiência foi pensada para além do roteiro convencional.

Durante a programação, os participantes tiveram contato com espaços simbólicos, narrativas locais e personagens que ajudam a construir o imaginário do Sertão. Assim, a proposta não foi apenas mostrar atrativos, mas provocar conexão.

E isso faz diferença. Afinal, quando um agente de viagem compreende a densidade cultural de um território, ele vende muito mais do que hospedagem. Ele vende experiência, pertencimento e memória.

 

Turismo literário: identidade, economia e pertencimento

O turismo literário tem uma força particular no Sertão paraibano. Isso porque a região sempre foi fértil em narrativas orais, cordel, poesia popular e produção intelectual ligada à vida sertaneja.

Portanto, ao valorizar esse patrimônio, a rota estimula não apenas o turismo, mas também o reconhecimento da própria população sobre sua história. Além disso, movimenta a economia criativa, amplia o tempo de permanência do visitante e gera novas oportunidades de negócios.

Ao mesmo tempo, fortalece a autoestima regional. Quando o morador percebe que sua cultura é motivo de interesse e admiração, ele passa a enxergar valor no que antes era visto apenas como cotidiano.

 

Interiorização do turismo como estratégia de desenvolvimento

Historicamente, o turismo paraibano esteve concentrado no litoral. Entretanto, iniciativas como essa mostram que o interior tem força para construir sua própria narrativa de atração.

Ao estruturar produtos turísticos no Sertão, o Sebrae contribui para descentralizar investimentos e distribuir renda. Consequentemente, cria-se um ciclo virtuoso: mais visitantes geram mais renda, que por sua vez impulsiona melhorias na infraestrutura e nos serviços locais.

Além disso, a interiorização reduz a sazonalidade e amplia o calendário cultural do estado. Isso é fundamental para consolidar a Paraíba como destino plural, que vai do mar ao Sertão com a mesma intensidade cultural.

 

Conclusão: o Sertão como território de histórias vivas

O famtour promovido pelo Sebrae sinaliza um caminho consistente para o turismo literário do Sertão paraibano. Mais do que divulgar municípios, a ação reposiciona o território como espaço de produção simbólica, criatividade e memória viva.

Se houver continuidade, planejamento e articulação entre os atores locais, a Rota do Vale dos Sertões pode se tornar referência nacional em turismo literário. E, nesse processo, o Sertão deixa de ser visto apenas como cenário e passa a ser reconhecido como protagonista cultural.

Porque, no fim das contas, o que move o turismo contemporâneo não é apenas paisagem. É história bem contada.

 

Sérgio Melo
Jornalista, designer e gestor ambiental. Editor do Paraíba Cultural.

 

 

 

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