Festival Diamba 2026 chega à Cidade da Imagem e consolida João Pessoa no debate sobre cannabis medicinal
João Pessoa volta a ocupar um lugar de destaque no cenário cultural e social do Nordeste ao sediar, mais uma vez, o Festival Diamba, evento que discute o uso medicinal da cannabis a partir de uma perspectiva cultural, popular e formativa. Em sua segunda edição, o festival acontece nos dias 03 e 04 de abril de 2026, durante o feriado da Semana Santa, e passa a ocupar um novo e simbólico espaço: a Cidade da Imagem (CDI) – Conventinho, monumento histórico e cultural da capital paraibana.
Com o tema “Semear resistência”, o Festival Diamba amplia sua proposta e reforça o diálogo entre saúde, cultura, organização social e produção de conhecimento, além de inserir João Pessoa definitivamente no mapa dos grandes encontros nacionais sobre a temática da cannabis medicinal.
Um novo espaço para um evento que cresce em público e relevância
Se na primeira edição o Festival Diamba já chamou atenção pelo ineditismo, agora ele avança também em estrutura e alcance. A escolha da Cidade da Imagem (CDI) – Conventinho não é apenas logística, mas simbólica. O espaço, reconhecido como patrimônio histórico e cultural da Paraíba, dialoga diretamente com a ideia de resistência, memória e construção coletiva que orienta o evento.
A expectativa da organização é receber cerca de 2 mil pessoas ao longo dos dois dias, que participarão de uma programação diversa. Além disso, o festival contará com minicursos, rodas de conversa, debates temáticos, atividades culturais, ações voltadas ao público infantil e shows musicais, criando um ambiente plural e acolhedor.
Música, tradição e diálogo com a cultura da planta
A programação musical também reforça a identidade do Festival Diamba. Já estão confirmadas duas atrações que dialogam diretamente com as culturas populares e afro-brasileiras.
No dia 03 de abril, quem abre o festival é a banda Seu Zé Quer Coco, grupo de samba-de-coco de João Pessoa que atua na preservação e valorização da cultura da jurema sagrada. Já no dia 04 de abril, o palco recebe a banda Breggae, de Recife, que mistura clássicos do brega com a cadência e a batida do reggae jamaicano, convidando o público a dançar e celebrar.
Dessa forma, o festival reafirma que o debate sobre cannabis também passa pela música, pela ancestralidade e pelas expressões culturais que historicamente dialogam com a planta.
Festival Diamba recebe o 1º Encontro Nordestino de Associações Canábicas
Um dos grandes marcos da edição 2026 será a realização do 1º Encontro Nordestino de Associações Canábicas, que acontece dentro da programação oficial do festival. A iniciativa é organizada pela Acaflor, produtora do evento, que mapeou 40 associações em todos os estados do Nordeste e enviou convites formais para participação.
Durante o encontro, será apresentado um levantamento sociodemográfico das associações canábicas da região, fortalecendo a troca de experiências, o compartilhamento de dados e a construção de estratégias coletivas. Além disso, o Festival Diamba se consolida como o primeiro evento da Paraíba a tratar a temática da cannabis medicinal sob um viés cultural, profissional e popular, ampliando o acesso à informação qualificada.
Organização política, cuidado e regulamentação no centro do debate
A experiência da primeira edição serviu como base para o amadurecimento da proposta do festival. Segundo Tayná Araújo, produtora executiva do evento e diretora de gestão estratégica da Acaflor, o Diamba se constrói a partir do encontro entre diferentes saberes e vivências.
“A primeira edição foi um encontro muito importante com pessoas que admiramos, onde iniciamos o debate sobre a cannabis por quatro eixos centrais: cultivo, jurídico, social e saúde. Conseguimos reunir cultivadores, associações, profissionais de saúde, pacientes e a população local. Além disso, incluímos uma programação infantil que foi fundamental para a participação de mães no evento”, destaca.
Agora, o foco se amplia. “Buscamos aprofundar o diálogo sobre como a regulamentação da Anvisa nos afeta, mas, sobretudo, como podemos nos organizar politicamente e tecnicamente para mostrar nossa relevância tanto na produção de medicamentos à base de cannabis quanto na produção de cuidado coletivo”, completa Tayná.
O pioneirismo de João Pessoa e da Paraíba na cultura da cannabis
O protagonismo de João Pessoa nesse debate não surge por acaso. A capital paraibana abriga as duas primeiras associações de pacientes de cannabis do Brasil, fundadas em 2014. Além disso, a relação histórica da Paraíba com a planta atravessa gerações.
Diversas aldeias indígenas, comunidades quilombolas e outros agrupamentos tradicionais cultivam a cannabis e desenvolveram, ao longo de décadas, saberes associados ao clima da região, que alterna períodos de maior umidade e estiagem. Esses conhecimentos tradicionais seguem influenciando práticas contemporâneas de cultivo, cuidado e organização comunitária.
Ao reunir cultura, saúde, política e educação, o Festival Diamba 2026 reafirma João Pessoa como um território de vanguarda no debate sobre cannabis medicinal no Brasil. Mais do que um evento, o Diamba se consolida como um espaço de escuta, formação e articulação coletiva, onde diferentes vozes constroem caminhos possíveis para o cuidado, a resistência e a democratização do conhecimento.
A programação completa será divulgada em breve e promete valorizar especialistas locais e regionais, além de artistas que dialogam diretamente com a cultura da planta e com a diversidade musical do Nordeste.
Serviço
Festival Diamba 2026
📅 03 e 04 de abril (sexta e sábado)
📍 João Pessoa – Paraíba
📌 Local: Cidade da Imagem (CDI) – Conventinho
🎟 Entradas: https://shotgun.live/pt-br/festivals/festival-diamba-na-paraiba-2026
📲 Instagram: @festivaldiamba
