5 praias de João Pessoa para entender a capital paraibana

Por Sérgio Melo Paraíba Cultural

 

Diferentemente de muitas metrópoles costeiras que ergueram muros de concreto frente ao mar, João Pessoa orgulha-se de uma legislação ambiental que preservou a circulação do vento e a paisagem natural de sua orla. Por consequência, a capital paraibana oferece um cenário raro: praias urbanas onde a comodidade do comércio coexiste com a preservação de corais e a vastidão do horizonte.

Para o visitante ou morador que deseja redescobrir a cidade, as praias da capital não são apenas pontos de banho, mas sim espaços de convivência, história e biodiversidade. Neste roteiro, exploramos cinco faixas de areia essenciais que revelam a alma “pessoense”, conectando a estrutura moderna às raízes naturais.

A seguir, confira as cinco praias imperdíveis e como elas equilibram a vida urbana com a beleza natural.

Tambaú: O coração pulsante e o acesso às piscinas naturais

Sem dúvida, Tambaú é o cartão-postal mais vibrante da cidade. Historicamente, o bairro desenvolveu-se em torno do turismo e da pesca, consolidando-se como o centro da vida noturna e gastronômica. Entretanto, do ponto de vista ambiental, sua importância reside no mar: é daqui que partem as embarcações para Picãozinho, uma formação de recifes que surge na maré baixa.

Além disso, o calçadão de Tambaú é um exemplo de uso democrático do espaço público. Pela manhã, o local é tomado por caminhantes que buscam saúde e contato com a brisa marinha; à noite, o comércio de artesanato e a culinária regional dominam a cena. Portanto, é a praia ideal para quem busca estrutura completa sem perder a conexão com o mar.

 

Tambaú

  • Destaque: Saída para os recifes de Picãozinho e Mercado de Artesanato.
  • Distância do Centro Histórico: Aproximadamente 7 km.

Cabo Branco: A falésia viva e a ciência ecológica

Continuando pela orla, chegamos à praia de Cabo Branco, que se estende até o sopé da famosa falésia que lhe dá nome. Esta praia possui um valor simbólico e geológico inestimável, pois abriga a Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, projetada por Oscar Niemeyer, integrando a modernidade à paisagem nativa de restinga.

Ademais, a avenida beira-mar de Cabo Branco é fechada para carros todas as manhãs, transformando-se em um imenso parque linear para pedestres e ciclistas. Esse gesto de planejamento urbano prioriza a qualidade de vida e a redução da poluição sonora e atmosférica junto à praia, tornando o ambiente mais saudável para frequentadores e para a fauna local.

 

Cabo Branco

  • Destaque: Proximidade com o Farol do Cabo Branco e área de lazer matinal.
  • Distância do Centro Histórico: Cerca de 9 km.

Bessa: O “Caribessa” e a preservação das tartarugas

Seguindo em direção ao norte da cidade, encontramos o Bessa, uma praia que ganhou o apelido carinhoso de “Caribessa” devido à tonalidade de suas águas e à tranquilidade do mar. Diferentemente de Tambaú, o Bessa possui uma atmosfera mais residencial, embora o comércio de bares “pé na areia” tenha crescido exponencialmente nos últimos anos.

Sob o aspecto ambiental, todavia, o Bessa é fundamental. A região conta com uma extensa barreira de corais próxima à margem, o que acalma as ondas e cria um ecossistema rico. Por esse motivo, é comum a desova de tartarugas marinhas nesta área, monitorada por ONGs locais que trabalham incessantemente para garantir que o desenvolvimento urbano não prejudique o ciclo de vida destas espécies.

 

Bessa

  • Destaque: Águas calmas, prática de caiaque e preservação marinha.
  • Distância do Centro Histórico: Aproximadamente 10 km.

Ponta do Seixas: O extremo oriental e a vila de pescadores

No extremo oposto, ao sul de Cabo Branco, localiza-se a Ponta do Seixas, o ponto mais oriental das Américas. É aqui que o sol nasce primeiro no continente, um marco geográfico que atrai turistas e geógrafos. A despeito de sua fama, o Seixas mantém um ar de vila de pescadores, com barcos coloridos ancorados na areia e barracas simples que servem peixe fresco.

Nesse contexto, o maior atrativo natural são as Piscinas Naturais do Seixas, consideradas por muitos como as mais límpidas da capital. O mergulho nessas águas revela uma biodiversidade surpreendente, com peixes coloridos e formações de corais que exigem cuidado e respeito por parte dos visitantes para sua conservação.

 

Ponta do Seixas

  • Destaque: Marco geográfico das Américas e piscinas naturais cristalinas.
  • Distância do Centro Histórico: Cerca de 14 km.

Manaíra: Urbanismo, calçadão e história comercial

Por fim, situada entre Tambaú e Bessa, a praia de Manaíra representa a face mais urbana de João Pessoa. Embora a faixa de areia tenha sofrido com processos erosivos ao longo das décadas — um alerta constante sobre as mudanças climáticas e a dinâmica costeira —, o bairro consolidou-se como um polo gastronômico e comercial robusto.

Ainda que não seja a primeira opção para banho de mar devido às ondas mais fortes e à urbanização densa, o calçadão de Manaíra é vital para a cidade. É um local onde a ciclovia e as áreas de convivência foram revitalizadas, oferecendo um espaço seguro para a contemplação do mar. Assim, Manaíra nos ensina sobre a necessidade de adaptar a infraestrutura urbana respeitando os limites impostos pelo oceano.

 

Manaíra

  • Destaque: Shopping centers, alta gastronomia e calçadão revitalizado.
  • Distância do Centro Histórico: Aproximadamente 8 km.

 

A capital que abraça o mar

Em suma, visitar as praias de João Pessoa é compreender que uma capital pode crescer sem virar as costas para a natureza. Seja na proteção das tartarugas no Bessa ou no fechamento da avenida em Cabo Branco, a cidade demonstra que o meio ambiente e o desenvolvimento urbano podem, e devem, caminhar juntos.

Ao percorrer este litoral, lembre-se de que a preservação destas belezas depende também da consciência de quem as visita. Desfrute da culinária, da história e das águas mornas, mantendo sempre o respeito pelo ecossistema que torna João Pessoa única.

 

 

 

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