Seis anos de reconhecimento do Centro Histórico de Taperoá como Patrimônio Cultural Imaterial da Paraíba
Uma conquista que completa seis anos e segue atual
Em 2019, o Centro Histórico de Taperoá, no Cariri paraibano, foi oficialmente reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Paraíba. Passados seis anos, o título não perdeu força nem sentido. Pelo contrário: ele se torna ainda mais necessário diante dos desafios de preservação da memória, da identidade e dos modos de vida no interior nordestino.
Esse reconhecimento não foi apenas um gesto institucional. Desde então, ele funciona como um marco simbólico que reafirma a importância de Taperoá dentro do mapa cultural do estado, valorizando histórias que não cabem apenas em livros, mas que seguem vivas nas ruas, praças e encontros cotidianos da cidade.
O que torna o Centro Histórico de Taperoá tão singular
O Centro Histórico de Taperoá reúne um conjunto de elementos que ajudam a entender a formação cultural da cidade e da região. Entre eles, estão a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, prédios históricos preservados, praças tradicionais e espaços de convivência que atravessaram gerações.
Além disso, o município abriga o Museu A Casa de Ariano, dedicado à memória de Ariano Suassuna, um dos maiores nomes da cultura brasileira, cuja relação com Taperoá ultrapassa o afeto pessoal e se transforma em legado cultural.
Assim, o reconhecimento como patrimônio imaterial valoriza não apenas os espaços físicos, mas também as narrativas, os saberes populares e o sentimento de pertencimento que esses lugares despertam.
Por que lembrar seis anos depois é tão importante
Celebrar seis anos desse reconhecimento é, antes de tudo, um exercício de memória ativa. Afinal, títulos de patrimônio não existem para ficar esquecidos em arquivos oficiais. Eles precisam ser constantemente lembrados, debatidos e defendidos.
Nesse sentido, relembrar a decisão tomada em 2019 ajuda a reforçar a responsabilidade coletiva com a preservação cultural. Ao mesmo tempo, chama atenção para a necessidade de políticas públicas contínuas que garantam proteção, incentivo e uso consciente desses espaços históricos.
Mais do que um passado preservado, o Centro Histórico de Taperoá representa uma oportunidade de futuro, especialmente quando associado ao turismo cultural, à educação patrimonial e à economia criativa local.
Taperoá como território de cultura viva
Taperoá é mais do que cenário. É território de cultura viva. Ao longo dos anos, a cidade construiu uma identidade fortemente ligada à literatura, à oralidade, à religiosidade e às expressões populares do sertão.
Por isso, manter vivo o reconhecimento do seu Centro Histórico significa também manter viva a própria cidade. Cada rua, cada praça e cada prédio antigo carrega histórias que ajudam a entender o Cariri e, em muitos aspectos, o próprio Nordeste.
O desafio de transformar reconhecimento em cuidado permanente
Seis anos depois, o maior desafio segue sendo transformar o reconhecimento legal em cuidado permanente. Preservar não é congelar o tempo, mas garantir que a memória continue dialogando com o presente.
O Centro Histórico de Taperoá, como patrimônio cultural imaterial, precisa seguir sendo vivido, ocupado e respeitado. Só assim ele continuará cumprindo seu papel de espaço de identidade, encontro e resistência cultural.
Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.