O Brasil fez história no Globo de Ouro com “O Agente Secreto”
Filme de Kleber Mendonça Filho conquista dois prêmios inéditos para o país e confirma a força do cinema brasileiro no cenário internacional
Por Sérgio Melo
O cinema brasileiro fez história no Globo de Ouro 2026 com O Agente Secreto, do Kleber Mendonça Filho — e essa conquista reverbera bem além da premiação.
Foram duas vitórias que colocam o Brasil no centro da conversa internacional sobre cinema: Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama, com Wagner Moura. Nunca havíamos alcançado esse duplo feito na mesma edição da cerimônia, e Wagner se tornou a primeira pessoa brasileira a ganhar como protagonista nessa categoria de drama.
Assistir ao reconhecimento de O Agente Secreto — uma obra que mistura política, memória e emoção, ambientada no Brasil da ditadura militar — num palco como o do Globo de Ouro é, para mim, uma confirmação de que nossa história, nossas narrativas e nossa forma de olhar para o mundo têm lugar de destaque na cultura global.
O filme já vinha colecionando prêmios antes da cerimônia, inclusive no Festival de Cannes e em críticas especializadas mundo afora, o que mostra que não é apenas um troféu isolado, mas um movimento de reconhecimento contínuo.
E vale dizer: essa vitória também é uma vitória coletiva. É fruto de anos de trabalho de um setor audiovisual que insiste em se afirmar, mesmo diante de desafios de todas as ordens, e de investimentos públicos que ajudaram a tirar o projeto do papel e levar para o mundo.
Quando vejo Wagner Moura receber aquele prêmio, lembro que é mais do que a consagração de uma atuação. É a prova de que o cinema brasileiro — diverso, intenso, complexo — pode conversar com plateias no Brasil, na Europa, nas Américas e na Ásia. Que nossas histórias têm força e que, quando bem contadas, atravessam fronteiras.
Fica também o convite para quem ainda não viu o filme: conecte-se com essa obra que entrou para a história do nosso cinema. E, para além da arte, pensemos no cinema como instrumento de cultura, memória e identidade — algo que nos aproxima, que nos faz entender melhor quem somos e de onde viemos.
No final das contas, O Agente Secreto no Globo de Ouro é mais do que um prêmio. É um marco. E isso merece ser celebrado por todo mundo que – como eu – acredita no valor profundo da cultura brasileira.