Cariri começa o ano fortalecido como destino de turismo sustentável e economia criativa
Por Sérgio Melo
O Cariri paraibano entra neste novo ano com algo que vai muito além de boas expectativas. O território chega fortalecido por uma construção coletiva que, ao longo do tempo, soube transformar cultura, tradição e modos de vida em uma experiência de turismo sustentável, conectada à economia criativa e ao protagonismo das comunidades locais.
Esse processo não nasceu do acaso. Iniciativas como o Pacto Novo Cariri, articulado com apoio do Sebrae/PB desde 2008, ajudaram a organizar o território, valorizar seus ativos culturais e criar uma visão de desenvolvimento que respeita o lugar, as pessoas e o tempo das coisas. O turismo passou a ser entendido não como exploração, mas como troca.
Hoje, a Rota Cariri Cultural é um retrato fiel disso. Não se trata apenas de visitar cidades, mas de vivenciar histórias, aprender com mestres da cultura popular, conhecer artesãos, trilhar paisagens da Caatinga e compreender como o semiárido também é potência. Tudo isso com impacto direto na renda local e no fortalecimento da identidade regional.
Um dos símbolos mais fortes dessa virada é Monteiro, reconhecida como Cidade Mundial do Artesanato, título concedido graças à Renda Renascença. A renda, que antes garantia apenas a sobrevivência de muitas mulheres, hoje é base de um arranjo produtivo que envolve formação, inovação, mercado e dignidade. Mais de três mil rendeiras fazem da arte um elo entre tradição e futuro.
O Cariri mostra, na prática, que economia criativa não é tendência vazia. É trabalho real, é geração de renda, é autoestima coletiva. Festivais, feiras, eventos culturais e roteiros turísticos movimentam pousadas, restaurantes, guias locais e pequenos empreendedores, criando uma cadeia que distribui melhor os benefícios do turismo.
Além disso, há um cuidado crescente com o território. Trilhas ecológicas, roteiros arqueológicos, turismo rural e experiências ligadas à Caatinga reforçam a ideia de que preservar também é uma forma de desenvolvimento. O visitante não consome o lugar, ele aprende com ele.
Entrar neste novo ano com essas bases consolidadas faz do Cariri um exemplo para a Paraíba e para o Nordeste. Um destino onde sustentabilidade não é discurso, mas prática cotidiana construída com gente de verdade.

Roteiro Cultural: tradição viva do Cariri
• Monteiro – Centro de Referência da Renda Renascença e ateliês das rendeiras
• Serra Branca – música, poesia popular e memória cultural
• Congo e Camalaú – festas tradicionais e expressões da cultura popular
• Eventos como o Festival Zabé da Loca, que celebra a música e os saberes do território
Ideal para quem quer conhecer o Cariri a partir de quem vive e faz cultura todos os dias.
Roteiro Sustentável: natureza, Caatinga e território
• Trilhas ecológicas e paisagens do semiárido
• Roteiros arqueológicos com inscrições rupestres
• Turismo rural e experiências em comunidades locais
• Vivências educativas sobre a Caatinga e o uso sustentável dos recursos naturais
Um convite para olhar o Cariri com mais tempo, respeito e curiosidade.
Roteiro Audiovisual e Criativo
• Cabaceiras – cenários naturais usados no cinema brasileiro
• Locais de gravação de O Auto da Compadecida
• Paisagens que unem patrimônio cultural e potencial audiovisual
• Experiências ligadas à fotografia, cinema e memória local
Perfeito para quem trabalha ou se encanta com imagem, narrativa e território.
O Cariri começa o ano mostrando que é possível crescer sem perder a essência. Turismo sustentável, economia criativa e cultura popular caminham juntos, provando que desenvolvimento de verdade nasce quando o território é respeitado e as pessoas são protagonistas da própria história.