Cultura popular nordestina em destaque: artesanato, música e tradições impulsionam a economia criativa na Paraíba. Foto: Sérgio Melo

Cultura Popular Nordestina fortalece a economia criativa na Paraíba

Por Sérgio Melo

 

A cultura popular nordestina vive, em 2026, um de seus momentos mais consistentes na Paraíba. Mais do que expressão identitária, o setor se afirma como eixo estratégico da economia criativa, articulando políticas públicas, grandes eventos, reconhecimento internacional e uma cadeia produtiva que envolve artistas, artesãos, produtores culturais e o turismo. Os investimentos realizados ao longo do ano e as projeções para o próximo ciclo reforçam um cenário de amadurecimento institucional e expansão econômica.

Entre os marcos estruturantes está o reconhecimento de João Pessoa como Cidade Criativa do Artesanato e das Artes Populares pela UNESCO. O título ampliou a visibilidade internacional do fazer artesanal paraibano — do barro ao couro, dos bordados à renda — e consolidou a capital como destino de turismo cultural. Em 2025, esse reconhecimento seguiu atraindo parcerias, intercâmbios e a ampliação do fluxo de visitantes interessados em experiências autênticas, impactando diretamente a renda de mestres e coletivos.

 

Cidade do Congo, no Cariri paraibano. Foto: Sérgio Melo

 

Outro fator central permanece sendo o calendário de festas tradicionais. O São João de Campina Grande, referência nacional e internacional, segue como o maior exemplo de como a cultura popular movimenta a economia local. Em 2025, o evento manteve forte capacidade de geração de empregos temporários, contratação de artistas (precisa revisar) e fortalecimento do comércio e da rede hoteleira. O modelo reafirma que a cultura, quando planejada como política de desenvolvimento, produz resultados econômicos mensuráveis.

No campo dos investimentos públicos, 2025 foi marcado pela continuidade e ampliação de editais e programas estruturantes. Recursos oriundos de políticas como a Lei Aldir Blanc, aliados a iniciativas regionais como o Nordeste Criativo, garantiram financiamento a projetos de música, dança, teatro popular, artes visuais, literatura de cordel e formação cultural. Esses aportes permitiram não apenas a execução de eventos, mas também a profissionalização de agentes culturais, a circulação de bens simbólicos e o fortalecimento de redes locais de produção.

A diversidade de expressões culturais segue como um diferencial competitivo da Paraíba. Manifestações como o Bumba-meu-boi, Cavalo Piancó, Ciranda, Coco de Roda, além das matrizes do forró — xote e baião — convivem com uma produção ativa de cordel, xilogravura e artesanato tradicional. Em 2026, essa diversidade tende cada vez mais incorpora roteiros turísticos, projetos educativos e ações de economia solidária, ampliando o alcance social da cultura.

Os espaços de fomento e comercialização também tiveram papel estratégico. Equipamentos como o Museu do Artesanato Paraibano e o Celeiro Espaço Criativo consolidaram-se como polos de difusão, formação e venda, organizando um circuito cultural permanente para moradores e visitantes. Em 2026, esses espaços reforçarão a lógica da cadeia produtiva, conectando criação, curadoria, comercialização e experiência cultural.

 

Reisado da Escola dos Sonhos, cidade de Bananeiras, no Brejo paraibano. Foto: Sérgio Melo

 

Perspectivas para o próximo ciclo

As projeções para o próximo período indicam continuidade e expansão. A tendência é de maior integração entre cultura, turismo e educação, com projetos que valorizem mestres da cultura popular, promovam formação de novos públicos e ampliem a presença da Paraíba em circuitos nacionais e internacionais. A expectativa é de manutenção dos editais públicos, maior articulação com a iniciativa privada e uso estratégico de selos e reconhecimentos — como o da UNESCO — para atração de investimentos.

A cultura popular nordestina, ao preservar suas raízes, demonstra capacidade de inovação e geração de renda. Em 2026, a Paraíba reafirma que identidade cultural e desenvolvimento econômico não são caminhos opostos, mas complementares. Transformar tradição em ativo estratégico tem sido, cada vez mais, uma política de futuro.

 

 

 

0 Shares

Post relacionado

Ativar notificações Sim Não
On which category would you like to receive?