Feira de Queijos em Campina Grande impulsiona economia e vira ponto turístico

Um mercado tradicional que conta histórias e gera renda

 

No coração do Mercado Central de Campina Grande, em plena Borborema, uma feira de queijos tem feito mais do que vender saborosos produtos artesanais. Ao longo das últimas semanas, o espaço ganhou atenção de turistas que visitam a cidade, impulsionando o comércio local e trazendo mais movimento para um dos centros tradicionais de negócio da cidade.

Essa feira, que não é só um ponto de venda, funciona como vitrine de um ofício que começou lá atrás, em 1959, quando a família de Wilson Barbosa deu os primeiros passos no comércio de queijos. Ao longo das décadas, o negócio passou de geração em geração, mantendo viva a tradição de produção artesanal e estreitando laços com produtores de diversas regiões da Paraíba.

Com essa história viva e presente no cotidiano de consumidores e viajantes, o evento vai além de uma simples feira — é um pequeno retrato da economia afetiva da cidade, onde sabores contam genealogias e conectam pessoas.

 

Como a feira movimenta a economia local

O principal ponto da feira é o comércio de queijos regionais, muitos produzidos por familiares de agricultores de cidades como Aroeiras, Mororó, Boa Vista e São João do Cariri. Para Wilson, essa rede de produtores ligados por laços familiares dá identidade e consistência ao negócio.

“Vendemos aproximadamente 600 quilos por semana. Isso varia conforme a produção de leite, mas há sempre muita procura, tanto de moradores quanto de turistas”, conta Wilson, lembrando que muitos visitantes compram queijo para levar como lembrança — um sinal claro de que o evento não é apenas consumo, mas experiência turística.

Essa dinâmica alimenta diferentes frentes: os produtores rurais, que garantem renda da produção familiar; os feirantes, que transformam o queijo em ponto de encontro; e os visitantes, que acabam colaborando com a economia local ao consumir e experimentar algo genuinamente campinense. Além disso, essa feira dialoga com o papel maior que a Feira de Campina Grande tem na cidade, reconhecida nacionalmente como patrimônio cultural por sua importância histórica e diversidade de produtos.

 

Sabores que atravessam gerações

Mais do que quantidade, o que diferencia essa feira de queijos é a memória afetiva que ela carrega. Robson, cliente fiel há anos, resume bem essa conexão afetiva: ele começou a frequentar a feira ainda criança, seguindo o hábito do pai que comprava queijo da família de Wilson. Hoje, ele e os irmãos mantêm a tradição.

A história de continuidade também aparece na trajetória de Márcio, sobrinho de Wilson, que hoje trabalha com o tio. Para ele, mais do que um trabalho, é uma forma de preservar um legado que fala de raízes, sabores e relações humanas.

E, ao falar com emoção do pai que iniciou o negócio, Wilson reflete já sobre esse elo entre passado e presente: aquilo que começou como um ofício familiar simples, hoje ajuda a sustentar uma tradição econômica e cultural que atrai curiosos de várias partes — um símbolo vivo da riqueza gastronômica da região.

 

Feira de queijos: economia, cultura e olhos voltados para o futuro

Ao olhar para essa feira como um todo, fica claro que a experiência vai além da venda de um produto típico. Ela representa uma relação viva entre campo e cidade, entre agricultores familiares e consumidores urbanos, entre memória e inovação. Ao mesmo tempo, fortalece o comércio local, destaca saberes e sabores regionais e contribui para que Campina Grande se reforce como destino cultural e gastronômico.

No fim das contas, a feira de queijos é mais um capítulo na história de uma cidade-feira que segue escrevendo novas páginas todos os dias — e nessa narrativa, o queijo tem seu lugar de destaque, tanto à mesa quanto no coração de quem passa por ali.

 

Foto: @ Jamil Em Ação

 

Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.

 

 

 

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