Filmes paraibanos são selecionados para a Mostra de Cinema de Tiradentes 2026
O cinema paraibano começa 2026 ocupando um espaço de destaque no cenário nacional. Três produções do estado foram selecionadas para a 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos eventos mais importantes do audiovisual brasileiro, que acontece entre os dias 23 e 31 de janeiro, em Minas Gerais, com programação inteiramente gratuita.
A Mostra abre oficialmente o calendário audiovisual do país e, nesta edição, reúne 137 filmes em pré-estreia, vindos de 23 estados brasileiros, distribuídos em mostras temáticas e competitivas. É um recorte amplo e diverso da produção contemporânea, que confirma a vitalidade do cinema feito fora dos grandes eixos tradicionais.
Da Paraíba, chegam a Tiradentes os filmes “Um Oceano Inteiro”, de Bruna Dias e Carine Fiúza, selecionado para a Mostra Panorama; “Estopim”, de Tiago A. Neves, que integra a Mostra Autorias; e “O Ponto do Mel”, de Mirian Oliveira e Pedro Lessa, presente na Mostra Foco. As obras e seus realizadores estão disponíveis para entrevistas, o que amplia ainda mais a visibilidade da produção paraibana durante o evento.
A presença desses filmes reforça algo que venho acompanhando de perto nos últimos anos: a Paraíba construiu uma linguagem própria no cinema, marcada por narrativas sensíveis, atenção aos territórios e coragem estética. Estar em Tiradentes não é apenas exibição, é diálogo direto com o pensamento crítico e com o que há de mais inquieto no cinema brasileiro atual.
Com o tema “Soberania Imaginativa”, a Mostra de 2026 propõe refletir sobre a invenção como gesto central do cinema contemporâneo, valorizando a autonomia criativa, a diversidade de vozes e a liberdade de experimentação. A ideia de soberania aqui não é isolamento, mas a capacidade de criar a partir de si, do próprio chão, das próprias referências.
A programação também presta homenagem à atriz, roteirista e diretora Karine Teles, além de contar com sessões especiais, como a abertura com um filme inédito de Julio Bressane. O evento se consolida ainda como espaço de formação e articulação do setor, com seminários, fóruns e atividades do Brasil CineMundi, aproximando realizadores, produtores, curadores e agentes do mercado.
Nas mostras competitivas, destaque para a Olhos Livres, voltada a realizadores já com circulação em festivais, que apresenta títulos como “Meu Tio da Câmera” (ES), “Tannhäuser” (SP), “Anistia 79” (RJ) e “Ao Sabor das Cinzas” (PE). Já a Mostra Aurora, dedicada exclusivamente a primeiros longas-metragens, reúne obras de Goiás, Distrito Federal, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Amazonas, reafirmando o caráter de descoberta que sempre marcou Tiradentes.
Para o cinema paraibano, estar nesse contexto é mais do que reconhecimento. É a confirmação de um processo coletivo, feito com poucos recursos, muito trabalho e uma relação profunda com as histórias que se deseja contar. Tiradentes, mais uma vez, se torna vitrine e ponto de encontro. E a Paraíba chega não como exceção, mas como parte ativa dessa construção.