Funesc promove apresentações culturais gratuitas no 41º Salão do Artesanato Paraibano
Por Sérgio Melo
Quando cheguei à orla de João Pessoa no início de janeiro, a primeira coisa que me chamou a atenção foi a energia das pessoas circulando entre as barracas, observando cada peça feita com cuidado pelos artesãos paraibanos. A 41ª edição do Salão do Artesanato Paraibano, com o tema “Mosaico. Arte em cada parte”, me lembrava de como nossa cultura é feita de fragmentos que, juntos, contam histórias potentes de identidade e pertencimento.
Nesta edição, que vai de 9 de janeiro a 1º de fevereiro, o Salão ganhou um tempero especial com a programação cultural gratuita promovida pela Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc). A ideia de integrar música, cultura popular e atividades artísticas ao lado do artesanato é algo que vem transformando a experiência de moradores e turistas que passam pelo antigo Hotel Tambaú, na orla marítima.
O que mais me marcou foi ver como a cultura, em suas diferentes expressões, convive ali de forma natural. No fim da tarde, a praça de eventos começa a ganhar vida: famílias com crianças se espalham pelos bancos, casais caminham apreciando os detalhes de cada peça artesanal e à noite a programação musical toma conta, como se fosse uma celebração diária do que é ser paraibano.
A Funesc caprichou na diversidade. Tem música para todos os gostos e públicos, cultura popular, atrações infantis aos domingos e ainda o “Quinta Delas” — uma série de apresentações às quintas-feiras protagonizadas por artistas mulheres, que colocam em foco a potência das vozes femininas na cena cultural da Paraíba. Essa iniciativa me fez pensar em como é importante criar espaços que reconheçam e valorizem essa presença tão essencial.
Artistas como Helô Uehara, Sabiaras, Sandra Belê, Lily Sanfoneira e tantos outros apresentam sua arte de forma gratuita, mostrando que cultura de qualidade não precisa ficar atrás de ingresso ou bilheteria para circular entre as pessoas.
O Salão é também um momento de economia criativa pulsante. São cerca de 600 expositores reunidos ali, com a expectativa de atrair mais de 120 mil visitantes e gerar milhões em vendas e encomendas. Para mim, isso lembra que arte e cultura são motores de desenvolvimento local — capazes de fortalecer tradições, criar oportunidades e fazer nosso povo se enxergar com mais orgulho.
Saio de lá com a sensação de que esses encontros culturais são mais que entretenimento. Eles costuram redes, conectam histórias e reafirmam que, na Paraíba, criatividade e arte estão sempre presentes em cada pedaço da nossa vida.