Nazarezinho reviveu a memória do cangaço ao sediar o Cariri Cangaço 2026 no Sertão paraibano

Nazarezinho entrou no mapa nacional dos estudos sobre o cangaço

 

No último dia 7 de fevereiro de 2026, Nazarezinho viveu um daqueles momentos que ficam marcados na memória coletiva. O município sertanejo sediou o Cariri Cangaço 2026 e, com isso, consolidou seu lugar no debate nacional sobre a história do cangaço no Nordeste.

Ao longo do encontro, pesquisadores, escritores, estudiosos e visitantes percorreram ruas, ouviram relatos e revisitaram episódios que ajudaram a construir a identidade do Sertão paraibano. Mais do que um evento acadêmico, o Cariri Cangaço transformou a cidade em palco de reflexão histórica e valorização cultural.

Assim, Nazarezinho não apenas recebeu um encontro temático. Ela reafirmou sua relevância dentro de uma narrativa que atravessa gerações e ainda desperta curiosidade, controvérsia e fascínio.

 

O que é o Cariri Cangaço e por que ele movimenta o Nordeste

O Cariri Cangaço é reconhecido como um dos mais importantes fóruns itinerantes de discussão sobre o fenômeno do cangaço no Brasil. Ao reunir estudiosos, memorialistas e descendentes de personagens históricos, o evento promove debates qualificados e visitas técnicas a locais marcados por confrontos e episódios emblemáticos.

Ao longo dos anos, diversas cidades nordestinas sediaram o encontro. Portanto, quando Nazarezinho foi escolhida como anfitriã em 2026, o fato representou não apenas um reconhecimento histórico, mas também uma oportunidade estratégica de projeção cultural.

Além disso, o evento movimentou a economia local. Hotéis, restaurantes e o comércio foram impactados positivamente, o que reforçou como cultura e desenvolvimento podem caminhar juntos.

 

Bando cangaceiro de Lampião, considerado o rei do cangaço.

 

Nazarezinho e sua ligação histórica com o cangaço no Sertão paraibano

Localizada no Sertão da Paraíba, Nazarezinho possui registros e memórias relacionadas à passagem de grupos cangaceiros pela região. Esse contexto histórico sempre despertou o interesse de pesquisadores dedicados ao estudo do cangaço e de figuras como Virgulino Ferreira da Silva.

Durante o Cariri Cangaço 2026, esses episódios foram revisitados com base em documentos, relatos orais e análises históricas. Dessa forma, a cidade deixou de ser apenas cenário e passou a ser protagonista da narrativa.

Além das palestras e debates, os participantes visitaram pontos considerados estratégicos para compreender a dinâmica dos deslocamentos dos bandos cangaceiros no território sertanejo. Consequentemente, a experiência ultrapassou o campo teórico e ganhou dimensão prática e sensorial.

 

Programação reuniu pesquisadores e fortaleceu a memória sertaneja

A programação contou com palestras, mesas de debate e momentos de integração entre estudiosos de diferentes estados do Nordeste. Ao mesmo tempo, houve espaço para troca de experiências entre pesquisadores veteranos e novos interessados pelo tema.

Esse diálogo intergeracional foi essencial. Afinal, o cangaço não é apenas um recorte histórico distante. Ele influencia até hoje a literatura, o cinema, a música e a própria construção simbólica do Sertão.

Por isso, ao sediar o encontro, Nazarezinho ajudou a preservar a memória e, ao mesmo tempo, a qualificar o debate. Em vez de romantizações simplistas, as discussões apontaram para uma leitura mais crítica, contextualizada e fundamentada.

 

Impactos culturais e turísticos para Nazarezinho

Ao longo do evento, ficou evidente que o Cariri Cangaço também cumpriu um papel estratégico para o turismo cultural. Visitantes circularam pela cidade, registraram imagens e compartilharam experiências nas redes sociais. Assim, Nazarezinho ampliou sua visibilidade regional e nacional.

Além do aspecto simbólico, houve impacto concreto. A ocupação da rede de hospedagem aumentou e o comércio local registrou maior movimento. Portanto, o evento demonstrou que investir na valorização da própria história pode gerar retorno econômico.

Esse movimento é especialmente relevante para municípios do interior. Quando a identidade cultural é tratada como ativo, ela deixa de ser apenas memória e passa a ser oportunidade.

 

Um capítulo que fortaleceu a identidade do Sertão

O Cariri Cangaço 2026, realizado em 7 de fevereiro, marcou um novo capítulo na trajetória de Nazarezinho. Ao receber estudiosos e visitantes, a cidade reafirmou seu protagonismo na história do cangaço no Sertão paraibano.

Mais do que um encontro temático, o evento funcionou como um gesto coletivo de reconhecimento da própria história. E, sobretudo, mostrou que compreender o passado é também uma forma de projetar o futuro.

Nazarezinho saiu fortalecida. E, ao mesmo tempo, o Sertão reafirmou que sua memória continua viva, pulsante e em permanente construção.

 

 

Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.

 

 

 

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