Com projeto vencedor de concurso nacional e início da primeira etapa, espaço tradicional avança em direção à revitalização urbana, preservação patrimonial e melhoria das condições de trabalho dos feirantes

Requalificação da Feira Central de Campina Grande marca um novo capítulo para o espaço que pulsa história, cultura e economia popular

Por Sérgio Melo

A Feira Central de Campina Grande, um dos maiores e mais tradicionais polos de comércio popular da Paraíba, inicia um processo abrangente de requalificação que promete transformar a experiência de comerciantes, consumidores e visitantes em um espaço mais acessível, funcional e histórico. A intervenção urbana, concebida após ampla discussão técnica e social, acaba de dar seus primeiros passos com a oficialização da primeira etapa das obras, correspondendo à revitalização de uma área de quase 3 mil metros quadrados com usos diversificados e compromisso com a identidade local.

O projeto vencedor do Concurso Nacional de Arquitetura para a requalificação da Feira Central, realizado pelo escritório Oficina Paraibana de Arquitetura, de autoria do arquiteto Manoel Belisário e sua equipe, serviu de base para o plano diretor que agora começa a sair do papel. A proposta contempla uma intervenção que integra modernidade e respeito pela memória do espaço, entendida como um patrimônio material e imaterial da cidade.

 

 

Um projeto estruturado em etapas

A requalificação será realizada em cinco etapas, com foco gradual e sistêmico sobre os principais elementos da Feira Central e seu entorno:

  • Armazéns (primeira etapa)
  • Cassino Eldorado
  • Mercado Central
  • Largo do Pau do Meio
  • Ruas adjacentes e entorno

O plano também prevê a criação de um estacionamento estruturado para servir melhor os frequentadores do local e promover maior fluidez ao tráfego na região central.

Primeira etapa: espaço de convivência e acessibilidade

Nesta fase inicial, a intervenção contempla a construção de uma praça coberta e outra aberta, articuladas por escadarias e rampas que garantem acessibilidade universal. O projeto propõe ainda áreas de lazer infantil com playground, espaços de permanência para adultos, além de quatro quiosques destinados a bares e lanchonetes que ampliam a oferta de serviços no entorno da feira.

O secretário de Planejamento Municipal, Marcus Nogueira, reforça que o novo equipamento urbano será utilizado não apenas para atender à circulação e convivência, mas também para realocar temporariamente os feirantes ao longo das etapas seguintes da obra. “A feira é um organismo vivo e precisa de cuidados, zelo e atenção”, declarou, destacando que a requalificação não buscará apenas melhorias físicas, mas também sociais e econômicas para a comunidade envolvida.

 

 

Diálogo com a comunidade e gestão participativa

Em audiência pública promovida pela Câmara Municipal de Campina Grande, representantes do poder público, feirantes, arquitetos e entidades da sociedade civil debateram aspectos essenciais do projeto, com foco na transparência e na integração entre diferentes visões sobre a obra. A reunião ocorreu em clima de expectativa e busca por consenso, evidenciando a importância do espaço para a cultura e economia local.

O vereador Olimpio Oliveira, autor da propositura que consolidou a audiência, reforçou que a revitalização da Feira Central representa a realização de um desejo de longa data dos comerciantes e moradores, ao mesmo tempo em que estimula a economia e valoriza a identidade do centro histórico de Campina Grande.

 

Entre tradição e futuro

Para muitos feirantes, a expectativa é de que a requalificação preserve o caráter popular do espaço, sem comprometer sua funcionalidade tradicional. Cícero Pereira Rodrigues, presidente da Associação dos Feirantes, destacou a necessidade de soluções que respeitem a dinâmica de trabalho e as histórias ali construídas ao longo de décadas.

A intervenção também se insere num contexto urbano mais amplo: Campina Grande, reconhecida pela vitalidade de seu comércio e pelo patrimônio arquitetônico do Centro Histórico, encontra na requalificação da Feira Central uma oportunidade para fortalecer vínculos entre memória, urbanidade e desenvolvimento local.

 

Perspectiva de futuro

Com a assinatura do contrato para a primeira etapa, prevista para iniciar já no começo de 2026, a requalificação da Feira Central coloca em foco questões essenciais: acessibilidade, mobilidade, organização do espaço público e valorização de práticas econômicas populares. Mais do que uma obra física, trata-se de um processo de reconstrução da centralidade social e cultural de um dos cartões-postais vivos da cidade.

A expectativa é que, ao término de todas as fases previstas, a Feira Central não seja apenas um ponto de comercialização, mas também uma referência em experiências urbanas integradas, conectando tradição e inovação no coração de Campina Grande.

 

 

Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.

 

 

 

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