Usinas de biogás colocam a Paraíba na rota da transição energética em 2026

Em janeiro de 2026, acompanhei um avanço importante da Paraíba no cenário nacional da transição energética. Duas usinas de biogás, instaladas nos municípios de Guarabira e Campina Grande, começaram a operar comercialmente, transformando resíduos sólidos urbanos em energia renovável. O projeto é resultado de uma parceria entre a PopSol, do grupo CMU Energia, a italiana Asja, a Migratio Bioenergia e a Ecosolo.

As unidades têm capacidade para abastecer até 20 mil residências. Na prática, isso significa menos impacto ambiental, mais eficiência na gestão do lixo urbano e economia direta na conta de luz de quem participa do sistema de geração distribuída. É um daqueles casos em que sustentabilidade deixa de ser discurso e passa a ser solução concreta.

 

Usinas de biogás fortalecem a matriz de energia renovável na Paraíba

O investimento nas duas usinas soma cerca de R$ 40 milhões. Cada planta possui capacidade instalada de 2,5 MW, garantindo uma geração contínua e estável de energia, sem depender das condições climáticas, como acontece com outras fontes renováveis.

As usinas foram implantadas ao lado de aterros sanitários que recebem resíduos de municípios vizinhos. Esse detalhe faz toda a diferença. O que antes era visto apenas como um passivo ambiental passa a integrar um sistema inteligente que conecta saneamento, gestão de resíduos e geração de energia limpa.

Na Paraíba, esse tipo de iniciativa ganha ainda mais relevância por complementar a energia solar e eólica já presentes no estado, diversificando a matriz elétrica e reduzindo a dependência de fontes fósseis.

 

Como os resíduos urbanos se transformam em energia renovável

O funcionamento das usinas de biogás chama atenção pela lógica simples e pelo impacto que gera. O lixo orgânico depositado nos aterros passa por decomposição controlada. Em Campina Grande, por exemplo, cerca de 200 caminhões de resíduos chegam diariamente ao local.

Durante esse processo, ocorre a liberação de metano, um gás com potencial de aquecimento global até 28 vezes maior que o dióxido de carbono. Em vez de ser liberado na atmosfera, esse gás é captado, tratado e convertido em eletricidade. O que antes era um problema ambiental sério se transforma em uma fonte estável de energia renovável.

O resultado é claro: menos emissões de gases de efeito estufa e um aproveitamento mais inteligente dos resíduos urbanos.

 

 

 

Economia real com a geração distribuída de energia renovável

A energia gerada pelas usinas é comercializada por meio do modelo de geração distribuída. Nesse sistema, a eletricidade produzida é injetada na rede da concessionária e convertida em créditos, que são abatidos diretamente na conta de luz dos consumidores participantes.

O ponto mais interessante é que não há necessidade de investimento em infraestrutura própria, como painéis solares. Quem adere ao modelo consegue reduzir os custos mensais com energia elétrica de forma simples e acessível.

Aqui na Paraíba, essa lógica amplia o alcance social da transição energética e fortalece a economia local, mantendo os investimentos circulando dentro do próprio estado.

 

Impactos ambientais positivos das usinas de biogás

Os benefícios das usinas vão além da economia na conta de luz. A captura do metano evita sua liberação direta na atmosfera, contribuindo de forma concreta para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Cada tonelada de lixo tratada representa menos poluição e mais eficiência ambiental. Além disso, o aproveitamento energético dos resíduos reduz a pressão sobre os aterros sanitários e amplia a vida útil dessas estruturas, um dos grandes desafios ambientais das cidades brasileiras.

Ao transformar resíduos sólidos urbanos em energia renovável, a Paraíba dá um passo firme em direção a uma gestão ambiental mais responsável e integrada.

 

Parcerias que impulsionam o avanço do biogás no estado

Nada disso acontece sozinho. O projeto das usinas de biogás é resultado de uma articulação entre empresas com experiência técnica e visão de longo prazo. A Asja, referência internacional em energias renováveis, lidera o desenvolvimento, a construção e a operação das unidades.

A Migratio Bioenergia atua na análise de viabilidade técnica, regulatória e comercial, enquanto a Ecosolo é responsável pela gestão e destinação final dos resíduos sólidos nos aterros sanitários.

Já a PopSol, empresa do grupo CMU Energia, faz a ponte entre a geração e o consumo, comercializando a energia renovável produzida e garantindo que os benefícios cheguem aos consumidores.

A entrada em operação das usinas de biogás em Guarabira e Campina Grande mostra que a transição energética já está acontecendo no território paraibano. É o lixo ganhando novo sentido, a tecnologia cumprindo seu papel social e ambiental e o estado avançando, de forma concreta, rumo a um futuro mais sustentável.

 

 

Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.

 

 

 

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