Ancestralidade em nota: Conheça a Escola de Canto Afro-Brasileiro, novo polo de formação em João Pessoa
Por Sérgio Melo
A música, quando genuína, é o fio que nos conecta com quem fomos e quem desejamos ser. Em João Pessoa, uma iniciativa floresce com o propósito de elevar essa conexão ao nível da formação técnica e do pertencimento cultural. Fundada em 2025, a Escola de Canto Afro-Brasileiro emerge como um espaço fundamental para a valorização das tradições musicais negras e da ancestralidade na formação de cantores na Paraíba.
Idealizado pela cantora e educadora musical Helayne Cristini, o projeto rompe as barreiras do ensino tradicional de canto. Aqui, a voz é tratada como um instrumento que carrega história, memória e resistência, oferecendo aos alunos uma experiência pedagógica que entrelaça técnica vocal, expressão corporal e o profundo respeito aos saberes afro-brasileiros.

Voz como rito de cura e identidade
Para além da afinação, a proposta pedagógica foca no autoconhecimento e na valorização da história dos povos africanos e afro-brasileiros na constituição da música brasileira. O canto, nesta escola, é compreendido como um ato político e espiritual. É, essencialmente, um rito de cura e de fortalecimento da identidade de cada estudante que cruza suas portas.
O projeto, que atende estudantes de diversas idades, mantém uma forte política de democratização do acesso à educação musical. As atividades são distribuídas em dois polos estratégicos na capital paraibana, acontecendo sempre às quintas-feiras: na sede da Associação Balaio Nordeste, no Varadouro, e na Casa do Catimbó, em Mangabeira II.
Perfil: Helayne Cristini Cantora, educadora e pesquisadora, Helayne Cristini é a força motriz por trás desta iniciativa. Com formação acadêmica robusta — licenciada em Educação Musical pela UFPB — ela alia seu rigor técnico a uma trajetória artística que transita do frevo ao samba. O trabalho de Helayne é um pilar vital para o reconhecimento da cultura afro-brasileira no estado, consolidando pontes entre a teoria acadêmica e a vivência prática das ruas. Seja através de suas pesquisas sobre compositoras paraibanas ou de sua atuação em palcos internacionais, ela reafirma que a arte é a nossa ferramenta mais potente de transformação social e valorização da cultura nordestina.
Fortalecimento da cena cultural nordestina
A Escola de Canto Afro-Brasileiro vai além da formação técnica individual. Ela forma cidadãos conscientes do seu lugar no mundo e da riqueza da nossa herança cultural. Em um momento onde o mercado muitas vezes apaga as raízes, projetos que priorizam o “fazer musical” consciente são a garantia de que a nossa identidade nordestina permanecerá viva, forte e vibrante nas próximas gerações.
Como participar: Para mais informações sobre as aulas ou para realizar sua inscrição, entre em contato através do WhatsApp: (83) 98893-1191. Acompanhe o trabalho e as atualizações da escola pelo Instagram: @escoladecantoafrobrasileiro.
Caro leitor, como profissional que atua diariamente na intersecção entre a nossa cultura e a sustentabilidade, fico entusiasmado em ver iniciativas que enraízam o conhecimento em nossa terra. Qual a importância que você atribui ao ensino da música ancestral em nossa formação acadêmica atual?
