Matrizes do Forró: O bastidor paraibano na 6ª TEIA Nacional no novo decreto que fortalece a cultura popular
Por Sérgio Melo
A Paraíba ocupa hoje o centro do debate sobre o futuro da cultura popular brasileira. Durante a 6ª TEIA Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz (ES), o articulador Alfranque Amaral colocou o Forró de raiz no epicentro da discussão política nacional. Em plenária estratégica, o paraibano cobrou a revisão dos fluxos de financiamento que, segundo ele, têm ignorado as necessidades reais dos mestres e produtores culturais.
A presença de Alfranque na TEIA ganha contornos de urgência ao abordar o papel das Matrizes Tradicionais do Forró. Em diálogos com Joelma Gonzaga (Secretaria do Audiovisual), Cláudia Leitão (Secretária de Economia Criativa) e Hipólito Lucena, Amaral não apenas denunciou a precarização do setor, mas atuou como protagonista. Ele é uma das vozes que ajudaram a redigir o recente decreto presidencial que visa blindar e fomentar o patrimônio imaterial brasileiro.
A voz que saiu dos bastidores para o Ministério
O tom de Alfranque, em sua fala aos gestores do Ministério da Cultura, é de um inconformismo propositivo. Ele questiona a atual fragmentação dos recursos públicos destinados aos festejos juninos. Para ele, o orçamento deveria ter como destino prioritário a sustentabilidade real dos forrozeiros. Sem essa garantia, o artista é obrigado a vender seus instrumentos para sobreviver à entressafra.
A atuação de Alfranque não é isolada. Ao lado de figuras como Dona Joana Alves, ele participou ativamente da construção democrática do decreto assinado pelo presidente Lula. Essa articulação técnica garante que a política cultural não seja apenas uma narrativa, mas um mecanismo de proteção social. É a cultura servindo como engrenagem de desenvolvimento econômico regional e proteção da memória.
Paraíba: convite para o real debate
Mais do que cobrar, Alfranque Amaral trouxe o convite oficial para o Ministério da Cultura conhecer de perto o Maior São João do Mundo. A proposta é clara: transformar Campina Grande em um laboratório para a implementação eficiente das novas diretrizes. Se o objetivo é o fortalecimento das Matrizes Tradicionais, o olhar deve se voltar para onde a tradição pulsa no cotidiano.
A 6ª TEIA Nacional reafirma que a cultura paraibana não está apenas presente, mas lidera o processo de inovação social no Brasil. A luta agora é para que a caneta do decreto se converta, de fato, em infraestrutura nos palcos e dignidade para quem mantém viva a nossa identidade sonora. Seguimos atentos, pois a política cultural é, acima de tudo, a defesa da nossa própria existência cultural.
