Chico César e Carlos Rennó lançam canções-manifesto em defesa da Caatinga
Por Sérgio Melo
A Caatinga — único bioma exclusivamente brasileiro — volta a ecoar no coração da música nacional pelas vozes de artistas que compreendem sua grandiosidade, vulnerabilidade e urgência de proteção. Em um momento em que o país volta seus olhos para a COP-30, em Belém do Pará, Chico César e o letrista Carlos Rennó lançam o manifesto musical “Dois Movimentos Para a Caatinga”, projeto que reafirma a potência da arte como ferramenta de resistência socioambiental.
Com participação de Juliana Linhares, Xangai e Quinteto da Paraíba, as canções “Uma Defesa da Caatinga” e “Outra Defesa da Caatinga” convidam à reflexão e convocam a sociedade para a ação. As faixas podem ser ouvidas no Spotify:
🔗 https://open.spotify.com/intl-pt/album/3rR8yL8JyRkOFLenZOA8oc
A produção musical é assinada pelo mineiro César Lacerda, e as letras — densas, poéticas e politicamente afiadas — são de Carlos Rennó, que também divide a direção artística com Lacerda e Chico César. É um encontro de gerações, linguagens e territórios, unidos pelo compromisso com um Brasil que reconhece e protege sua diversidade ecológica.
Um manifesto necessário
A persistência da degradação da Caatinga — com expansão do desmatamento, uso irregular da terra, queimadas e perda de biodiversidade — evidencia a urgência de um profundo olhar para esse bioma vital, que abastece a Bacia do Rio São Francisco e sustenta comunidades rurais, fauna e flora adaptadas a um clima extremo e fascinante.
“Dois Movimentos Para a Caatinga” surge justamente para nomear o que precisa ser denunciado, iluminar o que precisa ser preservado e provocar o debate público sobre políticas efetivas de conservação, fiscalização e educação ambiental.
As canções, ao mesmo tempo poéticas e contundentes, funcionam como pequenos ensaios cantados, afirmando que defender a Caatinga é defender o Brasil profundo, real e muitas vezes invisibilizado.
Um projeto maior: mapear os biomas pela música
As duas novas canções fazem parte de um amplo projeto criado por Carlos Rennó, que desde 2017 realiza um mapeamento singular dos biomas brasileiros por meio de canções militantes. Até agora, são 35 obras, interpretadas por grandes nomes da música brasileira, como:
- Elza Soares
- Maria Bethânia
- Gilberto Gil
- Caetano Veloso
- Ney Matogrosso
- Lenine
- Marina Sena
- Chico César, entre muitos outros
Cada obra combina crítica socioambiental, refinamento poético e uma sensibilidade que transforma denúncia em arte, e arte em instrumento de mobilização coletiva.
Música, território e resistência
Ao unir Chico César — filho do Cariri paraibano e profundo conhecedor da alma sertaneja — com Carlos Rennó, Xangai, Juliana Linhares e o Quinteto da Paraíba, “Dois Movimentos Para a Caatinga” se torna mais que um lançamento musical. É um grito que nasce de dentro da terra rachada, mas cheia de vida; um chamado para que o país reconheça o valor desse bioma singular e, sobretudo, atue para preservá-lo.
Em tempos de crise climática, cada gesto importa. E quando a música se torna manifesto, ela amplia o alcance dessa luta, transformando acordes em consciência.
Para mais informações sobre o projeto:
🔗 https://www.instagram.com/circusproducoesoficial/
Sérgio Melo
Jornalista e Gestor Ambiental. Coordenador de projetos de Educação Ambiental no portal Paraíba Cultural e no Q-Ideia – Design e Comunicação. Atua em ações integradas de sustentabilidade, cultura e desenvolvimento territorial no Estado da Paraíba.
