Cultura em Campina Grande: Anny Karenine assume secretaria com o desafio de unir modernidade e raízes locais
Por Sérgio Melo | Jornalista e Especialista em Gestão Ambiental
O prefeito Bruno Cunha Lima oficializou, nesta semana, a nomeação de Anny Karenine como a nova secretária de Cultura de Campina Grande. A decisão estratégica preenche uma lacuna vital na administração municipal, colocando a pasta sob uma liderança que promete interlocução direta com o setor artístico.
Diante da relevância da Rainha da Borborema no cenário nacional, a posse de Karenine ocorre em um momento de transição necessário. O objetivo principal é dar continuidade aos projetos de fomento, garantindo que a engrenagem cultural da cidade não perca o ritmo em um ano de grandes expectativas.
O equilíbrio entre o asfalto e o barro
Como observador da nossa identidade, vejo nesta nomeação o reflexo de um desafio contemporâneo: como modernizar a gestão sem desidratar nossas raízes? A cultura campinense é um ecossistema tão rico quanto a nossa Caatinga, exigindo preservação e, simultaneamente, inovação técnica.
Nesse sentido, Anny Karenine herda a missão de zelar pelo patrimônio imaterial, do forró de raiz à literatura de cordel. Por outro lado, a nova gestora precisará de agilidade para integrar as ferramentas digitais e a economia criativa aos fluxos tradicionais da Secretaria de Cultura (Secult).
Prioridades e o diálogo com a classe artística
Em primeiro lugar, a nova secretária deve priorizar o fortalecimento dos editais públicos e a transparência na aplicação de recursos. É fundamental que os artistas locais, muitas vezes à margem dos grandes holofotes, sintam-se amparados por uma gestão que entende o valor da base.
Além disso, a integração entre cultura e sustentabilidade ambiental surge como uma pauta urgente. Eventos de grande porte em Campina Grande podem — e devem — ser modelos de gestão de resíduos e baixo impacto, unindo o som da sanfona à consciência ecológica que o novo século exige.
A bússola do “Maior São João do Mundo”
Inegavelmente, o teste de fogo de qualquer gestor da pasta é a organização do Maior São João do Mundo. Karenine assume com a responsabilidade de manter a grandiosidade do evento, mas com o olhar atento para a “campinensidade” que atrai turistas do mundo inteiro.
Em suma, a chegada de Anny Karenine à Secult renova as esperanças por uma política cultural perene e menos sazonal. No Paraíba Cultural, seguiremos atentos a esses movimentos, torcendo para que a arte continue sendo o solo fértil onde nossa história se renova.

Crédito: Ilustração Digital / IA Paraíba Cultural.