O Iphan promove diálogo sobre a exposição Baianas Ricas de Maracatu em Recife
Baianas Ricas de Maracatu: quando a cultura popular vira espaço de escuta e reflexão
Por Sérgio Melo
Tomei conhecimento da conversa promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sobre a exposição Baianas Ricas de Maracatu a partir de uma mensagem compartilhada no grupo de WhatsApp do próprio Instituto. A curiosidade foi imediata. Fui buscar mais informações no site oficial do Iphan e encontrei ali não apenas a divulgação de uma atividade cultural, mas o registro de um diálogo necessário sobre memória, identidade e tradição.
A exposição, em cartaz em Recife, propõe um olhar atento para uma das figuras mais simbólicas do Maracatu Nação: as baianas ricas. Com suas vestimentas exuberantes, cheias de camadas, bordados e significados, elas não são apenas personagens do cortejo. Representam ancestralidade, força feminina, pertencimento e a continuidade de saberes afro-brasileiros que atravessam gerações.
A conversa promovida pelo Iphan reuniu pesquisadores, representantes dos maracatus e pessoas diretamente ligadas à salvaguarda dessa manifestação cultural. A proposta foi simples e, ao mesmo tempo, profunda: refletir sobre o papel das baianas dentro do Maracatu, o significado simbólico de suas indumentárias e os desafios de manter viva uma tradição que nasceu da resistência e da organização comunitária.
O Maracatu Nação, também conhecido como Maracatu de Baque Virado, é uma expressão cultural que articula música, dança, religiosidade e história. Ele carrega marcas do período colonial, das coroações dos reis do Congo e da vivência dos povos negros em Pernambuco. As baianas ricas, nesse contexto, ocupam um lugar central. São guardiãs de um patrimônio imaterial que não se resume ao espetáculo visual, mas comunica valores, hierarquias simbólicas e modos de existir no mundo.

Ao promover esse tipo de diálogo, o Iphan reafirma que preservar cultura não é apenas registrar ou expor, mas escutar quem faz, vive e transmite essas tradições no cotidiano. A iniciativa também se conecta a esforços mais amplos de reconhecimento e valorização do Maracatu Nação, inclusive no debate sobre seu possível reconhecimento como patrimônio cultural da humanidade.
Ler sobre essa conversa no site do Iphan reforça uma percepção importante: quando instituições públicas criam espaços de escuta e reflexão, a cultura popular deixa de ser apenas objeto de contemplação e passa a ser reconhecida como conhecimento vivo. As Baianas Ricas de Maracatu seguem nos ensinando que tradição não é passado parado, mas presença ativa, política e profundamente atual.