Circuito Alavantú descentraliza o forró e leva a essência da cultura popular aos bairros de Campina Grande
Por Sérgio Melo
O Circuito Alavantú rompeu a barreira dos grandes palcos centralizados e desembarcou nos bairros de Campina Grande. Com uma proposta que funde a música de raiz ao fortalecimento da identidade territorial, o evento transforma praças e ruas em espaços de resistência e celebração da nossa cultura nordestina.
A iniciativa, que ganha força na cena cultural paraibana, não apenas promove o forró autêntico. Ao conectar artistas locais a novas audiências, o projeto reafirma a importância da ocupação artística urbana. O resultado é um mosaico social onde a tradição reencontra o público que a mantém viva.
Por que descentralizar o forró é urgente?
Como gestor ambiental e observador das dinâmicas do nosso agreste, compreendo que a cultura é o ecossistema que sustenta nossa identidade. Quando levamos o forró para o cotidiano dos bairros, estamos praticando um tipo de “preservação cultural”.
Para Alfranque Amaral, a descentralização do circuito é um movimento estratégico de valorização do forró. Segundo Alfranque, o projeto reflete uma mudança importante na postura do poder público em relação à remuneração e ao reconhecimento da classe artística: “O governo já comprou a briga pela valorização dos trios e das bandas. Estamos vendo um movimento de descentralização que traz o forró de raiz para perto da comunidade, com cachês mais justos e condizentes com a importância desses artistas para nossa cultura.”
Identidade e pertencimento na prática
O diferencial do projeto está na curadoria. Não se trata apenas de festividade. O evento propõe uma seleção que privilegia o artista da terra e o som que carrega as raízes do zabumba e do triângulo.
- Impacto Social: Fortalece a economia criativa local e a rede de artistas.
- Engajamento Comunitário: Aproxima a gestão cultural dos moradores e das comunidades.
- Valorização da Raiz: Combate o apagamento das tradições rurais no ambiente urbano.
A sustentabilidade do fazer cultural
Precisamos olhar para eventos como este com a mesma visão estratégica que temos para as energias renováveis. Projetos culturais sustentáveis são aqueles que se enraízam, que criam autonomia para o artista e que deixam um legado para o público.
Ver o público ocupando as ruas com o forró de raiz é um lembrete importante. Nossa cultura é um organismo vivo e, quando bem gerida, ela é capaz de regenerar o próprio tecido social dos nossos bairros. O Circuito Alavantú, neste sentido, é uma semente que já brotou com força total.