CEU da Cultura: A burocracia que impede o acesso à arte na zona norte de Campina Grande
Por Sérgio Melo
O projeto do novo CEU da Cultura em Campina Grande representa um marco para a infraestrutura cultural da Rainha da Borborema. Com investimentos já garantidos pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, em uma parceria estratégica entre o Governo Federal e o Governo da Paraíba, o equipamento aguarda apenas a viabilização de um terreno pela gestão municipal para sair do papel. O local pretendido é um lote situado na esquina das ruas João Suassuna, no bairro da Palmeira, área conhecida popularmente como “Campo do Leão”.
Como gestor ambiental e entusiasta da ocupação urbana qualificada, compreendo que a instalação deste núcleo básico de 346,70 m² não é apenas uma obra, mas um vetor de transformação social. A implementação no bairro da Palmeira tem o potencial de impactar diretamente o público infanto-juvenil da zona norte, contemplando moradores de bairros como Monte Santo, Jeremias, Conceição, Louzeiro, Alto Branco, Bela Vista e Prata.
Um projeto pronto para transformar vidas
O CEU da Cultura não é um espaço ocioso; é um equipamento desenhado para a integração. O projeto arquitetônico, já finalizado, inclui:
- Espaços de uso cultural: Incubadora cultural (24,08 m²) e sala multifuncional (31,16 m²).
- Convivência: Biblioteca e pátio coberto aberto com 80,77 m².
- Áreas de apoio: Recepção, secretaria, banheiros, copa e cantina.
- Áreas técnicas: Estúdio de gravação, depósito de material de limpeza, vestiário, acervo técnico e depósito.
A ruptura no diálogo institucional
Apesar da clareza técnica e da importância social, o projeto encontra-se em um impasse burocrático. A Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba (SECULT-PB) formalizou, através do Ofício nº 110/2025, uma consulta sobre a viabilidade de doação do terreno ao Governo do Estado.
Embora o recebimento do ofício tenha sido confirmado pela gestão municipal em julho de 2025, não houve, até o momento, uma manifestação conclusiva por parte da Prefeitura de Campina Grande. Para o Conselho de Cultura e os demais agentes envolvidos, a omissão municipal representa uma barreira onde deveria existir uma solução compartilhada para o desenvolvimento da cidade.
Comparativo: O custo da inércia
A implementação de equipamentos como o CEU da Cultura é uma estratégia nacional de sucesso para reduzir desigualdades. Enquanto municípios parceiros avançam rapidamente ao ceder terrenos para projetos de impacto cultural, Campina Grande enfrenta um cenário de estagnação:
A celeridade é um dever de gestão. A perda de prazos da Política Nacional Aldir Blanc pode significar o desperdício de um investimento que pertence à população. O “Campo do Leão”, identificado como propriedade municipal, é a peça que falta para que Campina Grande receba um equipamento de alta qualidade técnica e funcional.
Espaço para a Gestão Municipal
O portal Paraíba Cultural, junto com o Conselho de Cultura de Campina Grande, buscou contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Campina Grande para esclarecer os motivos da ausência de manifestação oficial sobre o projeto, bem como para indagar se existe um cronograma para a análise da doação do terreno.
Até o fechamento desta edição, não recebemos respostas. O espaço segue aberto para que a gestão municipal possa esclarecer à sociedade campinense: qual é o entrave para a construção de um equipamento que beneficiará diretamente a juventude da zona norte da nossa cidade?
A cultura e a cidadania campinense aguardam, com urgência, uma posição clara sobre o futuro deste investimento.
