O momento de decidir o destino do São João 2026 é agora. Sérgio Melo defende a reativação da Fundação de Cultura para garantir profissionalismo e transparência para nossos trios de forró e quadrilhas. Participe desta construção!

O São João de R$ 700 milhões e o futuro da nossa cultura: Por que precisamos de uma Fundação de Cultura ativa agora?

Por Sérgio Melo Conselheiro de Cultura Digital – Conselho de Políticas Culturais de Campina Grande

 

 

Eu, Sérgio Melo, na qualidade de Conselheiro de Cultura Digital, dirijo-me a você — artista, fazedor de cultura e cidadão campinense — para tratar de um momento histórico. O São João de Campina Grande movimenta cifras que ultrapassam os R$ 700 milhões. No entanto, é fundamental questionarmos: como esse montante chega, de fato, ao nosso artista local?

Atualmente, vivemos um divisor de águas. O contrato de concessão que rege o Maior São João do Mundo encerra-se este ano. Por isso, estamos diante da oportunidade de redesenhar as regras para 2026. Além disso, precisamos garantir que a nossa voz seja a salvaguarda contra a precarização dos nossos trios de forró e quadrilhas.

 

A fragilidade do modelo atual e os riscos da terceirização

É preciso falar abertamente sobre a fragilidade institucional que o atual modelo de gestão impõe à nossa cidade. Hoje, a Secretaria de Cultura opera sob uma estrutura engessada pela burocracia direta da administração central. Consequentemente, essa limitação transforma o órgão em uma estrutura política de governo, e não em uma instituição de Estado com continuidade garantida.

A principal fragilidade reside na dependência excessiva da terceirização. Quando entregamos a execução do nosso maior evento a empresas privadas, abrimos mão do controle técnico. Se a concessionária prioriza apenas o lucro, a Secretaria fica sem braços operacionais próprios para intervir. Sem uma Fundação de Cultura ativa, enfrentamos instabilidade orçamentária, vulnerabilidade jurídica para captar recursos federais e uma curadoria que muitas vezes sufoca nossas raízes em nome do “engajamento” comercial.

 

A urgência de uma Fundação de Cultura focada em resultados

Uma cidade do porte de Campina Grande não pode permitir que sua inteligência cultural seja apenas um acessório. Embora tenhamos uma fundação municipal instituída, ela se encontra desativada. Reativá-la significa criar uma estrutura robusta com:

  • Coordenações Setoriais: Gestão específica para música, audiovisual, artes cênicas, cultura popular e outros setores.
  • Independência Administrativa: Autonomia para gerir dotações orçamentárias e atrair investimentos privados diretos.
  • Corpo Técnico Especializado: Setores jurídico e financeiro focados exclusivamente nas leis de incentivo e editais.

Modelos de sucesso como a Fundação de Cultura de Recife (FCC), a Fundarpe e a Funjope em João Pessoa provam que a autonomia administrativa é o que garante que o dinheiro da cultura permaneça no município, alimentando uma economia circular real.

 

Os riscos da gestão sem uma Fundação ativa

Sem uma Fundação de Cultura ativa, a gestão municipal enfrenta três problemas críticos que prejudicam o São João e o setor cultural como um todo:

  1. Instabilidade Orçamentária: Diferente de uma Fundação, que possui dotação própria e autonomia para gerir recursos, a Secretaria depende do fluxo de caixa central da prefeitura, o que gera atrasos em pagamentos de cachês e inviabiliza editais de longo prazo.
  2. Vulnerabilidade Jurídica: A falta de um setor jurídico e financeiro especializado em cultura dentro de uma autarquia dificulta a captação de recursos federais e parcerias privadas diretas, que exigem agilidade e especificidade técnica.
  3. Amadorismo na Curadoria: A terceirização total empurra a curadoria para o mercado. Isso significa que o critério de quem sobe ao palco passa a ser o “engajamento” e o retorno comercial imediato, sufocando o forró tradicional e as raízes que dão título à nossa festa.

 

Uma visão pautada por 10 anos de prática na Funesc

Minha defesa por este modelo não é teórica; é fruto de uma vivência profunda. Durante 10 anos, atuei na Funesc (Fundação Espaço Cultural da Paraíba). Essa experiência me possibilitou ver, na prática, como uma fundação consegue blindar a cultura contra as fragilidades políticas momentâneas.

Vi de perto como uma fundação obtém apoios e dotações que uma secretaria comum não acessa com a mesma fluidez. É essa segurança institucional que permite fazer uma gestão cultural permanente, e não apenas “apagar incêndios” durante o mês de junho. É essa expertise que desejo aplicar na construção de uma Campina Grande mais forte.

 

O futuro do São João em pauta: Sua participação é decisiva

Em suma, continuar no modelo atual é aceitar que nossa cultura seja tratada como um produto descartável. O edital de 2026 deve ser um projeto de soberania cultural. Portanto, convoco todos os artistas para uma reunião decisiva:

  • 📍 Local: Auditório da SECULT
  • 📅 Data: Quinta-feira, 07/05
  • Horário: 19h

Vamos discutir o fim da concessão e lançar as bases para a nova licitação. Não deixe que decidam por você. A sua voz é a nossa salvaguarda para que o brilho do São João reflita, acima de tudo, a dignidade de quem o constrói.

 

 

 

 

 

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